Domingo, 07 de agosto de 2022

Câncer de próstata: especialistas alertam para risco de detecção tardia

Especialistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, alertaram que muitos casos de câncer de próstata estão sendo detectados tarde demais. Eles creditam isso ao fato de campanhas e diretrizes de saúde se concentrarem em associar a doença à presença de sintomas urinários.

Em artigo publicado na revista científica BMC Medicine, os pesquisadores afirmam que isso não apenas é inútil como está equivocado e dificulta a detecção de casos iniciais e tratáveis de câncer de próstata.

“Quando a maioria das pessoas pensa nos sintomas do câncer de próstata, elas pensam em problemas com xixi ou necessidade de fazer xixi com mais frequência, principalmente durante a noite. Essa percepção errônea durou décadas, apesar de muito pouca evidência, e está potencialmente nos impedindo de detectar casos em um estágio inicial”, disse Vincent Gnanapragasam, professor de urologia da Universidade de Cambridge e consultor honorário de urologista do Hospital Addenbrooke. em comunicado.

O médico Alfredo Canalini, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), explica que, em geral, problemas urinários são causados pelo aumento benigno da próstata, que é um processo que ocorre naturalmente no organismo masculino, à medida que os homens envelhecem. Segundo ele, em 40% dos casos de aumento benigno da próstata há obstrução da passagem da urina.

Por outro lado, os tumores malignos são assintomáticos em estágio inicial e poucas pessoas sabem disso. Um estudo anterior descobriu que 86% do público associava o câncer de próstata a sintomas, mas apenas 1% sabia que poderia ser assintomático.

Além disso, estudos indicam que, em casos de câncer, a próstata tende a ser até menor que o normal. O estudo PROTECT, feito no Reino Unido, chegou a dizer que a falta de sintomas urinários pode, de fato, ser um indicador de maior probabilidade de malignidade.

— O câncer não pode ter sua base diagnóstica nesse tipo de sintoma. Quando o diagnóstico da doença é feito baseado em algum sintoma, há 90% de probabilidade de já estar em fase avançada. Por isso, é necessário que os homens, em especial aqueles de risco, façam exames para o diagnóstico precoce do câncer de próstata — afirma Canalini.

Fatores de risco

Afrodescendentes, histórico familiar (parentes e 1º grau com a doença) e obesidade são os principais fatores de risco para a doença. A avaliação da próstata é baseada em dois exames iniciais: o toque retal, onde o médico consegue avaliar se existe algum nódulo de consistência mais endurecida na próstata, e o exame de PSA. Esse é um exame de sangue que faz a dosagem da proteína antígeno prostático específico (PSA), que é produzida apenas pela próstata.

A SBU recomenda que homens do grupo de risco façam consultas periódicos e realizem anualmente o exame de PSA, a partir dos 45 anos de idade. Para a população em geral, a recomendação é a partir dos 50 anos.

— O diagnóstico precoce significa aumento da probabilidade de cura, que chega a 80% nesses casos — pontua o presidente da SBU.

— O homem tem que perder o medo. Há um hábito nos homens de só procurarem médico quando sentem algo. Isso, na maioria das vezes, dificulta o diagnóstico precoce da doença. Eles precisa, encarar o cuidado com a saúde de maneira mais séria — complementa Canalini.

Sintomas

Canalini ressalta que quando o câncer de próstata apresenta sintomas, a doença já está avançada. Mesmo que sejam sintomas urinários semelhantes aos do crescimento benigno da próstata, como dificuldade de urinar e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), outros sintomas sugestivos da doença incluem demora em começar ou terminar de urinar, sangue na urina e diminuição do jato de urina.

Nessa fase, também pode haver a presença de sintomas decorrentes do acometimento de outros órgãos, como dor óssea, infecção generalizada e insuficiência renal.

 

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