Domingo, 21 de junho de 2026

Câncer do colo do útero: vacina contra HPV reduz a quase zero o risco de morte antes dos 30 anos na Inglaterra

Mulheres que receberam a vacina contra o HPV no início da adolescência têm risco praticamente nulo de morrer de câncer do colo do útero antes dos 30 anos, de acordo com um estudo inovador. Embora o imunizante previna cerca de 90% dos casos de câncer do colo do útero, até então o impacto na sobrevida era desconhecido.

Na nova análise, pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres (QMUL), na Inglaterra, utilizaram dados oficiais de mortalidade por câncer e vacinação de mulheres de 20 a 34 anos para calcular o impacto da estratégia na sobrevida ao câncer do colo do útero. Os resultados, publicados na revista científica The Lancet, mostraram pouca alteração na mortalidade por câncer de colo do útero em mulheres que nunca receberam a vacina contra o HPV. Por outro lado, houve quedas substanciais naquelas vacinadas após sua introdução em 2008.

O impacto na mortalidade foi tão grande que os autores estimam que a probabilidade de meninas vacinadas aos 12 ou 13 anos morrerem de câncer de colo do útero antes dos 30 anos é quase zero. Para mulheres vacinadas entre 30 e 34 anos, o risco relativo de morte pela doença é 63% menor.

E, pela primeira vez na história, nenhuma mulher entre 20 e 24 anos morreu de câncer de colo do útero na Inglaterra entre 2020 e 2024. No total, a vacina contra o HPV salvou centenas de vidas, concluem os autores. No entanto, a queda nas taxas de vacinação pode levar a um aumento de mortes evitáveis.

O câncer do colo do útero é o quarto câncer mais comum em mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, esse é o terceiro tipo de tumor mais incidente entre as mulheres, de acordo com informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Os papilomavírus humanos (HPV) de alto risco são responsáveis ​​por 99% dos casos.

Na Inglaterra, onde o estudo foi realizado, a vacina, que também protege contra certos tipos de câncer no ânus, pênis, vagina, vulva, boca e garganta, além de verrugas genitais, é administrada a meninas e meninos no 8º ano do ensino fundamental, com doses de reforço oferecidas em algumas regiões nos 9º e 10º anos. No Brasil, a vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos e é considerada a medida mais eficaz para evitar a infecção pelos tipos de vírus que mais causam a doença.

Em 2024, o Brasil passou a adotar o esquema de dose única, seguindo as evidências científicas mais recentes. Em 2025, novas diretrizes ampliaram o público-alvo para adolescentes de 15 a 19 anos e grupos prioritários, como usuários de PrEP, imunossuprimidos e pessoas com papilomatose respiratória recorrente.

A taxa de cobertura vacinal contra o HPV no Brasil está em ascensão. A estimativa aponta uma taxa de 86% para as meninas e 74,5% para os meninos. Apesar do crescimento, os números gerais nas faixas etárias elegíveis buscam alcançar a meta oficial do Ministério da Saúde de 90%

A estratégia global da OMS para o câncer do colo do útero estabelece que, até 2030, todos os países devem vacinar 90% das meninas contra o HPV até os 15 anos de idade, rastrear 70% das mulheres e tratar 90% daquelas com doença do colo do útero. (Com informações do jornal O Globo)

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