Segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de agosto de 2026
A Associação Palestina de Futebol (PFA) anunciou nesta segunda-feira (10) a retomada de suas atividades no início de setembro, após uma interrupção de três anos por conta da guerra em Gaza, sob constantes ataques de Israel. O primeiro torneio da PFA será chamado de “Copa dos Mil Mártires”, em homenagem aos 1.014 jogadores palestinos mortos durante o conflito, segundo dados da federação.
“Anunciamos que retomaremos nossas atividades esportivas e o campeonato a partir do próximo dia 4 de setembro”, declarou o presidente da entidade, Jibril Rajoub, em entrevista em Ramallah.
A competição reunirá 226 clubes: 146 da Cisjordânia ocupada, 44 da Faixa de Gaza e 36 de campos de refugiados palestinos no Líbano. O torneio começa com três partidas simultâneas. A primeira será realizada nos governos do norte, no Estádio Faisal Al-Husseini, reunindo Jabal Al-Mukaber e Shabab Al-Khalil. Nos governos do sul, Shabab Rafah enfrentará Khadamat Rafah, enquanto no Líbano, Al-Ansar e Al-Nahda se encontrarão no campo de treinamento de Ain Al-Hilweh.
O território da Palestina tem sido fragmentado há décadas devido à expansão das fronteiras de Israel, que não respeita os acordos internacionais de marcação definido nos anos 1960, e tem promovido a anexação de terras ilegalmente. Uma das estratégias é a proteção a colonos estrangeiros que roubam e destroem propriedades de palestinos, a fim de andar com as linhas de demarcação desses territórios.
O cenário de constantes ataques aos territórios palestinos, intensificados em outubro de 2023, “criou condições difíceis para todos os palestinos, levando à suspensão de nossas competições e atividades”, afirmou Rajoub. Forças de ocupação de Israel destruíram, desde então, as mais variadas estruturas de Gaza, que vai de centenas de residências a hospitais, passando por áreas de esporte e lazer, como campos de futebol.
“Mas nós não perdemos a nossa vontade nacional, nem a convicção de que o esporte segue sendo um símbolo de esperança e de vida”, acrescentou.
O dirigente pediu à Fifa e outras federações apoio à PFA, que enfrenta sérias dificuldades financeiras, e proteção ao direito de jogadores, crianças e clubes de praticarem o esporte “livremente e com dignidade”.
Em um comunicado recente, a federação palestina questionou a Fifa, ao perguntar se o órgão que rege o futebol mundial “ainda tem coragem de aplicar seu regulamento a todos de forma igual (…) sem ceder a pressões políticas”. Há anos, a PFA vem exigindo punições aos clubes israelenses sediados em assentamentos na Cisjordânia e a suspensão da filiação de Israel à Fifa.
“Não exigimos privilégios. Reivindicamos direitos legítimos garantidos pelas leis e estatutos esportivos”, destacou Rajoub.
O dirigente também anunciou que a seleção da Palestina vai disputar um amistoso contra a China em setembro, como preparação para a Copa da Ásia, que começa na Arábia Saudita em janeiro. Rajoub também falou da participação da Palestina nos próximos Jogos Asiáticos no Japão, com uma delegação de 108 atletas, incluindo 67 jogadores e jogadoras que participarão de 19 modalidades esportivas.
(Com O Globo)