Terça-feira, 01 de setembro de 2026

Caso Banco Master: banqueiro Daniel Vorcaro fez contrato de R$ 50 milhões para mulher de Alexandre de Moraes se tornar sócia de aeronaves dele

A Polícia Federal encontrou no telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro um segundo contrato dele com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, com valor de R$ 50 milhões e que foi pago por meio da transferência de cotas de duas aeronaves dele, em uma espécie de sociedade oculta, apontam os diálogos. Em relatório produzido sobre as menções ao ministro Alexandre de Moraes, a PF reproduz diálogos em que Viviane disse já estar usando as aeronaves.

Procurada, a assessoria de Viviane Barci de Moraes afirmou que essa proposta foi extinta com a liquidação do Master. “O escritório possuía somente uma contratação com o Master e nega qualquer transferência ou substituição do contrato. A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”, diz em nota.

Nas mensagens encontradas pela PF, Vorcaro e seus auxiliares citam que precisariam encontrar um instrumento jurídico para fazer a cessão das aeronaves, porque o escritório dela não queria figurar formalmente como sócio de empresas vinculadas ao banqueiro.

O primeiro contrato de Vorcaro com Viviane foi assinado pelo próprio Banco Master no início de 2024 e tinha valor total de R$ 131 milhões. Esse segundo contrato foi feito em maio de 2025 por meio da Viking Participações, empresa usada por Vorcaro para gerir seu patrimônio.

Vorcaro discutiu com um advogado da sua equipe o formato da cessão dos ativos para o escritório de Viviane. Na conversa, Leonardo Palhares sugere um formato de contrato para transferir as cotas dos ativos com a opção de recomprá-los mais adiante. Vorcaro rejeita a sugestão: “Os ativos são deles já”, escreveu.

Ao longo da negociação, Palhares explica a Vorcaro que o administrador do escritório de Viviane avisou que a banca não poderia ter participação na empresa. Com isso, eles passaram a procurar alternativas para transferir de forma camuflada as aeronaves para a mulher de Moraes.

“No dia 19/05/2025, LEONARDO PALHARES envia a DANIEL VORCARO um Termo de Acordo e Dação em Pagamento do contrato da VIKING com o Escritório de VIVIANE DE MORAES. PALHARES explica que, segundo “Guilherme”, o “escritório deles não pode ser parte do contrato, não pode ter participação em empresas”. Depois complementa, “Ele queria que escritório fosse dono direto da cota, sem ser sócio das SPEs”“, diz trecho do relatório da PF.

Vorcaro também orientou um funcionário da empresa Prime You, responsável pelas aeronaves, a enviar a Viviane de Moraes documentos sobre um avião Legacy 650 e um helicóptero EC 155 B1, os mesmos que estavam na minuta do termo de acordo e dação em pagamento. “Conforme consta na brochura, a cota do avião Legacy 650 custaria US$ 5.512.951,89, enquanto a cota do helicóptero EC 155 B1 custaria US$ 1.335.014,01″, diz a PF.

Em 16 de julho de 2025, Vorcaro perguntou ao funcionário da Prime You se eles já estariam usando as aeronaves. “Já usaram aviões e helicópteros”, respondeu.

“Logo em seguida, MARCOS envia a DANIEL VORCARO recorte de conversa que ele teve com VIVIANE MORAES por meio da qual ele questiona se “estão gostando da utilização das cotas de vcs”. VIVIANE responde que “Sim, estamos gostando muito”. Consta na legenda da mensagem enviada por MARCOS com o recorte da conversa com VIVIANE a sigla “PSC”, indicando provavelmente o termo “para seu conhecimento”“, diz o relatório da PF.

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