Domingo, 16 de junho de 2024

Censo 2022 mostra um Brasil mais envelhecido e feminino. População com 65 anos ou mais cresceu 57,4%

O Brasil revelado pelo Censo de 2022 mostra um País mais envelhecido e mais feminino. Os novos dados sobre a idade e o sexo da população, divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) elencam, também, como o perfil dos brasileiros vem mudando ao longo das últimas décadas. O último Censo foi realizado em 2010. O IBGE se planejou para a execução do Censo Demográfico 2020, tal como definido por lei, porém, em virtude da crise sanitária provocada pela pandemia, iniciada em 2020, e do corte orçamentário do governo federal no ano seguinte, impossibilitou o estudo.

O País tem uma população total de 203 milhões de habitantes, sendo 104,5 milhões de mulheres e 98,5 milhões de homens. O valor representa 94,2 homens para cada 100 mulheres. Em 1980, eram 98,7 homens para cada 100 mulheres.

A maior quantidade de mulheres tem explicação histórica, em razão das maiores taxas de mortalidade entre os homens, segundo o IBGE. Como as mulheres morrem menos, a tendência é que a população brasileira continue ficando, de fato, cada vez mais feminina.

Na faixa até os 24 anos de idade, os homens ainda são maioria na população. A partir desse estágio, contudo, as mulheres ficam à frente. Isso ocorre devido às chamadas causas externas (como as mortes violentas, segundo o IBGE).

“A mortalidade masculina é maior em todos os grupos etários. O que resulta em uma população sobrevivente de mulheres. E temos uma alta mortalidade não natural em jovens adultos. Por violência e acidentes”, disse Márcio Minamoguchi, demógrafo do IBGE.

O Rio é o estado mais feminino (52,8%). São 89,4 homens para cada 100 mulheres. Apenas quatro estados têm mais homens que mulheres: Acre, Tocantins, Roraima e Mato Grosso. Roraima e Mato Grosso têm a maior razão (proporção) de sexo masculino: são 101,3 homens para cada 100 mulheres.

Já a idade mediana dos brasileiros passou de 29 anos em 2010 para 35 anos em 2022. A proporção de jovens encolheu desde 1980, ao mesmo tempo que os idosos ganharam mais espaço. Esse processo se acelerou principalmente entre 2010 e 2022. Os dados do IBGE mostram que o salto de envelhecimento da população brasileira no período foi o maior entre os duas edições do censo desde 1940. Entre 2010 e 2022, houve aumento da idade mediana em todas as regiões do Brasil.

A idade mediana de Roraima é de apenas 26 anos, a mais baixa entre todos os estados e o Distrito Federal. O seu índice de envelhecimento também é o mais baixo: 17,4. Já a mais alta é a do Rio Grande do Sul: 38 anos. O estado também tem o maior índice de envelhecimento: 80,4.

Envelhecimento da população

A estrutura etária da população brasileira sofreu transformações significativas ao longo dos últimos anos. Há 22 milhões de idosos com 65 anos ou mais vivendo no País. É um número 57,4% superior aos pouco mais de 14 milhões apurados na operação censitária anterior, ocorrida em 2010.

As mudanças ocorridas ao longo desses 12 anos também são observadas quando analisadas a proporção de idosos sobre a população total. No Censo 2010, as pessoas com 65 anos ou mais representavam 7,4% de todos os moradores do país. Já em 2022, elas são 10,9%.

Os estados com maior proporção de idosos são Rio Grande do Sul (14,1% da população), Rio de Janeiro (13,1%) e Minas Gerais (12,4%). Já os estados com maior proporção de jovens (até 14 anos) são Roraima (29,2%), Amazonas (27,3%) e Amapá (27%). De acordo com o IBGE, as taxas de fecundidade do Rio Grande do Sul são baixas e já estão caindo há bastante tempo.

Em 2010, o índice era de 1,7, ante uma taxa nacional de 1,9. Além disso, o Censo de 2022 mostra que o RS tem um saldo migratório negativo (ou seja, muito mais pessoas vão embora para morar em outros lugares do que chegam). Por isso, com menos nascimentos e mais pessoas em idade produtiva deixando o estado, o envelhecimento se acelera. O índice de envelhecimento subiu para 55,2. Isso significa que há 55,2 idosos para cada 100 crianças até 14 anos. Em 2010, o índice era de 30,7.

Em sentido inverso, o total de crianças com até 14 anos recuou 12,6%, saindo de quase 46 milhões em 2010 para 40 milhões em 2022. Há 12 anos, essa faixa etária respondia por 24,1% de toda a população. Agora, ela representa 19,8%.

 

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