Sexta-feira, 15 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de maio de 2026
O cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, que expiraria no próximo domingo, será prorrogado por mais 45 dias, anunciou o Departamento de Estado dos Estados Unidos nesta sexta-feira, durante o segundo dia de negociações entre Israel e Líbano em Washington.
O órgão americano classificou as conversas como “altamente produtivas” e informou que as partes voltarão a se reunir nos dias 2 e 3 de junho. Apesar dos ataques, mortes e destruição registrados no território libanês, o governo do Líbano não participa diretamente do conflito regional, embora o país tenha sido envolvido nos confrontos pela atuação do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
“Esperamos que essas discussões promovam uma paz duradoura entre os dois países, o pleno reconhecimento da soberania e integridade territorial de cada um e o estabelecimento de segurança genuína ao longo de sua fronteira compartilhada”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott.
As reuniões desta semana representam o terceiro encontro entre representantes israelenses e libaneses desde a intensificação dos ataques aéreos israelenses contra o território libanês.
Embora o cessar-fogo tenha entrado em vigor em 17 de abril e reduzido significativamente os confrontos no sul do Líbano, as Forças Armadas israelenses continuam realizando operações contra alvos que afirmam estar ligados ao Hezbollah. Segundo levantamento da agência AFP com base em dados oficiais, ao menos 400 pessoas morreram no Líbano desde então.
Na quarta-feira, o Ministério da Saúde libanês informou que bombardeios israelenses deixaram 22 mortos, incluindo oito crianças, no sul do país. O governo libanês acusa Israel de atingir civis e equipes de resgate, alegações negadas pelo governo israelense.
Israel afirma que busca estabelecer uma zona de segurança no sul do Líbano para impedir novos ataques do Hezbollah contra o território israelense. Em algumas áreas, vilarejos inteiros foram destruídos em operações militares semelhantes às conduzidas na Faixa de Gaza.
Especialistas e organizações de direitos humanos classificam parte dessas ações como “domicídio”, termo utilizado para descrever ataques massivos contra regiões civis que tornam determinadas áreas inabitáveis e impedem o retorno de moradores deslocados. Entidades internacionais afirmam que alguns episódios podem configurar crimes de guerra, acusações rejeitadas pelo governo israelense.
O Hezbollah também realizou ataques com foguetes e drones contra tropas israelenses posicionadas no sul do Líbano e no norte de Israel. Em resposta, Israel ampliou os bombardeios e iniciou uma ofensiva terrestre em território libanês.
O atual conflito começou em 2 de março, dois dias após os Estados Unidos e Israel realizarem uma ação militar conjunta contra o Irã, ampliando ainda mais a tensão no Oriente Médio.