Sábado, 12 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de setembro de 2026
A 21 dias das eleições, a cúpula do PT decidiu dar uma guinada política na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A orientação é defender mandato com prazo definido para integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e partir para o enfrentamento contra o ministro André Mendonça. Em reunião de emergência da Executiva Nacional do partido com coordenadores do QG petista, a avaliação foi a de que Lula corre risco de derrota para o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, se não houver um “cavalo de pau” na linha da campanha.
Em entrevista ao SBT, o presidente disse que é preciso fazer uma reforma do Judiciário e que um dos pontos seria a mudança no critério de permanência dos ministros da Suprema Corte no cargo. “Precisamos discutir um mandato para o STF. Ninguém pode ficar 40 anos no cargo”, afirmou. Hoje, a cadeira é vitalícia. Lula não citou quanto tempo deveria durar o mandato.
Desde o agravamento da crise no STF, pesquisas de intenção de voto indicam que Flávio vem ganhando terreno e a distância entre ele e Lula está cada vez menor. Levantamento da AtlasIntel divulgado na quinta-feira (10) mostra uma simulação de segundo turno apertada: Flávio aparece com 46,4% dos votos e Lula, com 46,2%.
Horas depois, a Executiva do PT aprovou uma resolução na qual defende mandatos para as Cortes Superiores – embora sem definir o prazo –, códigos de ética e tipos penais mais duros para corrupção, peculato e tráfico de influência no Judiciário. Cita, ainda, a necessidade do “fim dos supersalários, dos penduricalhos e dos privilégios”. “É evidente que tem erro. Em dez dias, o Brasil mudou. Se a realidade muda, a campanha tem de estar alinhada à realidade”, disse o presidente do PT, Edinho Silva, após a reunião.
Futuro
Edinho afirmou, ainda, que Lula vai apresentar bandeiras para o futuro. “A gente tem que levantar mais a voz em relação à reforma do Judiciário”, observou Edinho, que coordena a campanha do presidente. O PT está sob pressão dos próprios aliados, que reclamam da falta de propostas com apelo popular e da ausência de diálogo com eleitores de centro.
Até agora, o PT resistia a direcionar a artilharia contra Mendonça com receio de que, fazendo isso, Lula fosse ainda mais associado ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Além disso, Mendonça é evangélico, segmento no qual o presidente enfrenta resistências.
Mendonça e Moraes vivem um duelo de “vida ou morte”, que desgasta a campanha do PT. A crise atingiu o ápice depois da revelação de trocas de mensagens entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, investigado e preso por fraude bilionária contra o sistema bancário.
Enquanto o terremoto aumentava de intensidade, com réplicas e tréplicas que chegaram a levar até mesmo ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Flávio ia crescendo nas pesquisas. Diante desse cenário – e da análise do Palácio do Planalto de que Mendonça atua como “agente político” da campanha de Flávio –, a cúpula do PT foi enquadrada pelo governo.
Mendonça e PL
Interlocutores de Lula afirmam que Mendonça – indicado em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro para ocupar uma cadeira no STF – se reúne toda semana com o senador Rogério Marinho (PLRN), coordenador da campanha de Flávio. Marinho é líder da Oposição no Senado. Procurados, nem o ministro nem o senador se manifestaram.
“A partir de agora, haverá uma radicalização política na campanha do presidente Lula”, afirmou a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PTPE), que ontem participou da reunião da Executiva Nacional do partido. “Vamos mostrar quem é Flávio Bolsonaro e o risco que o País corre com a volta desse povo ao poder”.
Aliados
Os ataques a Mendonça, no entanto, serão “terceirizados” para dirigentes e militantes do PT. A ideia é que Lula aborde novas propostas para um eventual quarto mandato. Uma dessas bandeiras deverá ser o fim das bets. O governo tem pesquisas mostrando que, muitas vezes, o endividamento das famílias – uma das principais preocupações dos eleitores – é provocado por apostas digitais em jogos de azar. Como mostrou o Estadão, Lula prepara uma “medida drástica” contra as bets, que pode vir em forma de Medida Provisória.
“(…) Seria um erro ainda maior continuar na mesma “batidinha” planejada por quem, erradamente, achava que venceríamos fácil e no primeiro turno, com um discurso concentrado nas “entregas” do nosso governo. Agora já está óbvio que o melhor cenário é vencermos no segundo turno e por pequena vantagem”, diz um trecho de documento aprovado pela corrente petista Articulação de Esquerda. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)