Terça-feira, 09 de junho de 2026

Com delação em xeque, banqueiro Daniel Vorcaro se revolta na cadeia com a decisão do ministro André Mendonça

Prestes a ter sua segunda proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário Daniel Vorcaro tem demonstrado desânimo e irritação com o rumo das investigações. Segundo pessoas próximas, ele considera que há incoerências nas decisões tomadas pelas autoridades e vê tratamento desigual em relação a outros investigados.

De acordo com aliados, o episódio que mais o incomodou nos últimos dias foi a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso Banco Master, de revogar as medidas cautelares impostas a Raimundo Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, Raimundo é sócio da empresa que, segundo a PF, teria sido utilizada para ocultar pagamentos mensais feitos por Vorcaro ao parlamentar.

Desde o início de maio, Raimundo utilizava tornozeleira eletrônica, estava com o passaporte retido e proibido de manter contato com outros investigados. Ao determinar a suspensão das medidas, Mendonça argumentou que não havia elementos concretos que indicassem risco de fuga ou tentativa de interferência nas investigações.

Na avaliação de Vorcaro, a situação de Raimundo seria semelhante à de seu primo, Felipe Vorcaro, apontado pela PF como responsável por operacionalizar os pagamentos à empresa ligada à família Nogueira e preso na mesma fase da operação. Segundo os investigadores, Felipe teria evitado uma ação policial em janeiro, quando deixou um condomínio em Trancoso pouco antes da chegada dos agentes durante a segunda etapa da Compliance Zero.

Esse episódio é apontado pelas autoridades como um dos motivos para a manutenção de sua prisão. Ainda assim, de acordo com interlocutores, Daniel Vorcaro considera que as decisões judiciais têm sido desproporcionais e interpreta o tratamento dado a seus familiares como uma forma de pressão para que aceite um acordo de colaboração premiada.

Nos bastidores, ele tem afirmado que praticamente todos os homens de sua família foram atingidos pelas investigações. Além de seu pai, Henrique Vorcaro, e do primo Felipe, também foi preso o empresário Fabiano Zettel, seu cunhado. Para pessoas próximas, o empresário acredita que as medidas adotadas contra seus familiares tiveram como objetivo aumentar a pressão psicológica sobre ele.

Apesar disso, o cenário não é favorável para o avanço das negociações de delação. A tendência é que a nova proposta apresentada por Vorcaro seja rejeitada tanto pela PF quanto pela PGR, repetindo o desfecho da primeira tentativa de acordo. Investigadores avaliam que os relatos apresentados até o momento não atendem aos requisitos exigidos para a celebração de uma colaboração premiada, especialmente em relação à apresentação de provas e à relevância das informações fornecidas.

Caso a rejeição seja confirmada, Vorcaro deverá retornar ao Complexo Penitenciário da Papuda para continuar cumprindo prisão preventiva. Sem acordo homologado e sem os benefícios previstos em uma colaboração premiada, o empresário permanecerá à disposição da Justiça enquanto as investigações sobre o Banco Master e os supostos esquemas de fraude e lavagem de dinheiro seguem em andamento.

 

(Com O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Banco Central aperta regras para funcionamento de fintechs, que apontam risco de crédito ao consumidor ficar mais caro no País
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play