Segunda-feira, 17 de junho de 2024

Comandante do Exército soube antes de operação contra Bolsonaro

O comandante do Exército, o general Tomás Paiva foi avisado na noite de terça de que um integrante da força seria alvo da ação da Polícia Federal. Eram 5h30 da manhã quando o general começou a telefonar a integrantes do governo, diante da prisão do tenente-coronel Mauro Cid. A ala bolsonarista da caserna, claro, não gostou.

A operação azedou a reunião de anúncio da chegada do novo chefe do GSI, general Amaro. “Não foi mesmo uma coincidência boa”, diz um auxiliar de Lula.

O aviso partiu do diretor da Polícia Federal Andrei Rodrigues, que contatou o general Tomás Paiva horas antes da prisão do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Rodrigues pediu que Tomás Paiva destacasse um oficial do Exército para acompanhar o cumprimento de “uma ordem judicial”. De acordo com o diretor, não foi detalhado qual teor da ação.

Segundo a jornalista Bela Megale, Mauro Cid foi preso pela Polícia Federal dentro da Vila Militar em Brasília, onde o tenente-coronel mora.

Para integrantes do Ministério da Defesa, ainda é cedo para avaliar eventuais reflexos da prisão de Mauro Cid na relação entre governo e militares.

O Palácio do Planalto vive um processo de reaproximação com as Forças Armadas após as tensões provocadas pelos ataques de 8 de janeiro. O contato feito entre Rodrigues e o general Tomás Paiva é um procedimento de praxe para estas situações e está previsto em lei. Um oficial do Exército deve acompanhar a prisão de militares quando feita por policiais civis. O mesmo vale para policiais militares.

Ocupando postos de destaque no governo, Rodrigues e o general Tomás Paiva estavam em lados opostos na divisão do núcleo duro do governo sobre futuro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), após saída do general Gonçalves Dias. Rodrigues defendia a reformulação do órgão e um civil para o seu comando. Chegou a afirmar publicamente que esperava ver Ricardo Cappelli à frente do GSI. Cappelli ocupou interinamente o comando do ministério após saída de GDias.

Já o general Tomás Paiva integrava a ala que trabalhou para o presidente Lula escolher um militar para chefiar o GSI, mantendo a tradição do órgão criado em 1938. No meio da semana, Lula oficializou o convite ao general Marco Antonio Amaro dos Santos para ocupar o posto. Amaro foi chefe do GSI no governo de Dilma Rousseff.

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