Domingo, 13 de setembro de 2026

Comando da Polícia Federal nega que a área de inteligência tenha atuado para fiscalizar ou punir servidores

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, enviou  ao Supremo Tribunal Federal uma resposta formal sobre a elaboração do relatório de inteligência apócrifo, sem cabeçalho institucional e sem valor probatório, encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes. O posicionamento do chefe da corporação, no entanto, apresenta contradições em relação ao teor do próprio documento.

​O relatório em questão serviu de base para que Moraes acusasse o relator do caso Master, ministro André Mendonça, de abuso de autoridade. A manifestação de Andrei entra em choque direto com o texto produzido pela própria PF em pelo menos quatro pontos centrais.

​A primeira incoerência envolve o monitoramento de autoridades. Enquanto o diretor-geral afirmou ao Supremo que não existiu nenhum tipo de acompanhamento sobre André Mendonça ou sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias, o próprio relatório fala abertamente em realizar “monitoramento e coleta dirigida” contra os envolvidos.

​O segundo ponto está na origem das informações. Andrei Rodrigues alegou que os agentes apenas organizaram fatos vivenciados pela própria equipe de investigação. No entanto, o documento mostra o uso de notícias e fontes abertas, além de mandar levantar novos dados e fazer comparações.

​A terceira divergência diz respeito à punição de policiais. O comando da PF nega que a área de inteligência tenha atuado para fiscalizar ou punir servidores. Apesar disso, o relatório analisa a conduta individual de agentes e sugere enviar à Corregedoria o caso do policial que nomeou a operação sobre o filho do presidente Lula como “Elli”.

​Por fim, há um conflito sobre o uso político do documento. A Polícia Federal declarou que os papéis eram apenas análises técnicas ligadas às investigações. O relatório, porém, entra em temas políticos ao avaliar alinhamentos partidários, disputas eleitorais, a atuação de nomes como Jorge Messias e ACM Neto, e o jogo de forças dentro do próprio STF.

Mendonça defende afastamento do diretor-geral da PF e nega lesão à ordem pública

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça defendeu sua decisão de afastar preventivamente do cargo o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.

O afastamento foi determinado na terça-feira (8), mas Andrei foi reintegrado ao cargo no dia seguinte por outra decisão, esta do ministro Flávio Dino. Mais tarde, no mesmo dia, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu ambas as decisões e manteve o diretor-geral da PF no cargo até decisão do plenário sobre o tema.

Em manifestação enviada nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, André Mendonça rebateu os argumentos apresentados pela Advocacia-Geral da União (AGU) para pedir a suspensão de sua decisão.

Mendonça afirmou que não houve violação das competências do presidente da República nem usurpação da competência do plenário do STF.

Segundo o ministro, o afastamento cautelar está amparado em previsão legal e foi adotado diante da necessidade de apuração de supostas irregularidades atribuídas a integrantes da cúpula da PF. Com informações dos portais Estadão e G1.

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