Domingo, 13 de setembro de 2026

Presidente da OAB Nacional tenta voltar atrás em afastamento do procurador-geral da República do caso Master e causa racha interno

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enfrenta uma crise interna após apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, não atue no caso das mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

O estopim da crise foi uma mensagem do presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, enviada na manhã desta quinta-feira (10) no grupo de Whatsapp que reúne os presidentes das seccionais estaduais, na qual afirmou: “Pessoal, acho que usamos dois pesos e duas medidas”.

Simonetti declarou que Gonet “é inocente” e que seria necessário respeitar a “ampla defesa e contraditório”. O presidente da OAB ainda disse estar com “um sentimento de injustiça” e que “Gonet é um homem de bem”.

Presidentes estaduais da OAB argumentaram que não havia condições para que Gonet continuasse investigando o caso Master após ter sido citado no relatório policial, mas defenderam que o afastamento do PGR não afeta sua inocência.

Simonetti anunciou que apresentaria uma nova petição ao STF solicitando que o trecho relativo ao afastamento de Gonet fosse desconsiderado, explicando: “Não estamos sendo justos. Acreditem em mim. Uma lacração não pode ter como base uma injustiça. E me responsabilizo sozinho, vocês podem me responsabilizar”.

O presidente nacional da OAB recebeu apelos para não seguir com a petição, sob o argumento de que a decisão havia sido tomada depois de quatro horas de discussão, em reunião em Brasília que contou com a presença dos presidentes de todas as seccionais.

“A consequência efetiva não recai sobre nenhum de vocês, mas sobre mim pessoalmente e sobre a OAB, e já estamos sofrendo. Posso fazê-lo sem anunciar”, propôs Simonetti, acrescentando: “É melhor para todos nós. Acreditem”.

Após pedidos para desistir da nova petição, Simonetti reforçou: “Não posso falar abertamente aqui. Mas acreditem em mim que é necessário”.

Parte dos presidentes estaduais cedeu ao pedido de Simonetti e autorizou a solicitação ao STF para suspender a apreciação do afastamento de Gonet no caso das mensagens de Moraes e Vorcaro. Outra parcela cobrou explicações ao presidente nacional, que não foram dadas.

Depois do racha, Simonetti desistiu de apresentar a nova petição ao STF e declarou apoio pessoal a Gonet em entrevista ao site “Jurinews”.

“Afirmo em público minha confiança na honra e na integridade de Paulo Gonet. Tenho profundo respeito por sua trajetória e pela seriedade com que ele exerce suas responsabilidades”, afirmou Simonetti.

O comentário reacendeu as discussões no grupo de WhatsApp dos presidentes da OAB. Com informações do portal O Globo.

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