Segunda-feira, 03 de agosto de 2026

Conselheiros da Fifa pedem reunião urgente para questionar liderança do presidente da entidade

Presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa) há mais de dez anos, o suíço-italiano Gianni Infantino pode estar com os dias contados no cargo, aponta uma investigação do jornal britânico “The Guardian”. Membros do conselho da entidade “se rebelaram” contra sua liderança e já estariam preparando uma reunião extraordinária para colocar em xeque a continuidade do mandato.

O estopim para a crise não foi, porém, o plano de Infantino de vender cotas de participações em ativos comerciais da Copa do Mundo, altamente criticado por outras organizações do futebol, como a Uefa (Europa) e a Conmebol (América do Sul). Segundo fontes ouvidas pelo “Guardian”, já havia uma mobilização interna para convocar a reunião desde que a suspensão do centroavante norte-americano Folarin Balogun foi anulada durante o torneio.

Antes do escândalo das cotas, a intenção dos membros “rebeldes” seria pedir uma revisão dessa decisão atípica, que pode ter favorecido os Estados Unidos (um dos anfitriões do evento). O motivo principal seria uma série de ligações telefônicas do presidente Donald Trump – de quem Infantino é muito próximo.

Os conselheiros insatisfeitos com Infantino já planejavam usar a reunião para exigir sua renúncia caso ele se recusasse a sancionar uma revisão independente da decisão sobre a suspensão de Balogun. Na ocasião, a Federação Norueguesa de Futebol já havia feito uma queixa formal para o Comitê Olímpico Internacional alegando que a Fifa teria violado regras de neutralidade política e se curvado à vontade de Trump.

Na ocasião, a Fifa insistiu que seguiu todo o procedimento devido e que a decisão foi feita de maneira independente por seu comitê de ética, mas não há ainda documentação oficial e pública da audiência que teria culminado nesta decisão. O desgaste da imagem de Infantino, desde então, só se acentuou. Resta aguardar se a maioria será formada para expulsar o presidente do comando da Fifa.

Composição

O Conselho da Fifa é composto de 28 representantes de seis confederações, além de oito vice-presidentes e do próprio Infantino. Conforme o jornal britânico, o número de insatisfeitos com o atual presidente já tinha dois dígitos antes de Infantino sugerir a venda de 20% de uma nova empresa que operaria a Copa para a Thrive Capital, empresa de investimento fundada por Joshua Kushner, o irmão caçula do genro de Trump, Jared Kushner.

As regras da própria Fifa exigem a concordância de ao menos 50% de seu colegiado para convocar uma reunião extraordinária. Ou seja, a mobilização precisa incluir 19 dos seus 37 conselheiros, uma realidade que pode não estar distante. (com informações de O Globo)

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