Terça-feira, 21 de maio de 2024

Coronel do Exército que estava nos Estados Unidos volta para o Brasil e é preso

Correa Neto estava nos Estados Unidos desde o fim do governo Bolsonaro, quando foi designado para uma missão do Exército no exterior com término em junho de 2025. A ida do coronel para o território americano antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um dos motivos apontados para a sua prisão preventiva.

Segundo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que autorizou a deflagração da operação da PF na quinta, a saída de Correa Neto do Brasil mostrou “fortes indícios de que o investigado agiu para se furtar ao alcance de investigações e consequentemente da aplicação da lei penal”.

Segundo a PF, Correa Neto chegou no Aeroporto Internacional de Brasília na madrugada de domingo (11), onde já havia uma equipe da Polícia Federal à sua espera. Depois dos procedimentos iniciais, o coronel foi entregue para a Polícia do Exército e teve três passaportes e seu celular apreendidos.

A operação prendeu também Filipe Martins, ex-assessor especial de Jair Bolsonaro, e os militares Rafael Martins, tenente-coronel do Exército, e Marcelo Câmara, coronel da reserva e também ex-assessor do ex-presidente. Os três, assim como Correa Neto, eram alvos de mandados de prisão preventiva.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também foi detido na quinta-feira, quando buscas em sua casa mostraram posse de uma arma irregular. Ele foi solto na noite de sábado (10). Segundo Moraes, “algumas circunstâncias específicas devem ser analisadas, uma vez que o investigado é idoso, tendo 74 (setenta e quatro) anos, e não teria cometido os crimes com violência ou grave ameaça”.

Intermediador

Segundo o relatório da PF, Correa Neto era um “homem de confiança” do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, e estava envolvido no planejamento do golpe de Estado. Ele teria sido o intermediador de uma reunião entre militares que planejavam uma medida golpista em novembro de 2022, logo após a derrota do ex-presidente nas eleições.

“Os diálogos encontrados no celular de Mauro Cid demonstram que Correa Neto intermediou o convite para reunião e selecionou apenas os militares formados no curso de Forças Especiais (Kids Pretos), o que demonstra planejamento minucioso para utilizar, contra o próprio Estado brasileiro, as técnicas militares para consumação do Golpe de Estado”, afirma a decisão de Alexandre de Moraes.

Segundo a investigação, o golpe planejado por Correa Neto e outros militares e aliados de Bolsonaro previa o impedimento da posse de Lula e a prisão de autoridades como o próprio Moraes, que chegou a ser monitorado por um dos núcleos da organização criminosa. O processo envolveria também o decreto de estado de sítio por Bolsonaro, o que abriria brechas para uma intervenção militar.

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