Domingo, 23 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de agosto de 2026

Universalização até 2033: corrida contra o tempo
O Rio Grande do Sul vive uma virada histórica. Em apenas três anos, a Corsan investiu R$ 6 bilhões, multiplicando por quatro sua média anual de aportes. O objetivo é ousado: 99% de cobertura de água e 90% de esgoto até 2033. “O Estado não podia mais esperar”, resume a presidente Samanta Takimi.
Esgoto: salto de 19% para 30%
Entre 2020 e 2023, a cobertura de esgoto nos municípios atendidos pela Companhia passou de 19% para 30%. Isso significa que em três anos a Corsan fez metade do que havia construído em quase seis décadas. Foram implantados 1,1 mil km de redes coletoras, 18 novas ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto, responsáveis por remover poluentes e devolver água limpa ao meio ambiente) e 116 elevatórias, beneficiando 852 mil pessoas. O impacto ambiental é gigantesco: 17,69 bilhões de litros de esgoto tratados por ano, o equivalente a 7 mil piscinas olímpicas.
Água: 186 mil novos imóveis atendidos
No abastecimento, os investimentos somaram R$ 810 milhões. Foram construídos 500 km de redes, 7 estações de tratamento de água, 10 reservatórios e 296 poços profundos. O resultado: 186 mil imóveis passaram a ter acesso à água tratada, ampliando a segurança hídrica em períodos de estiagem e enchentes.
Comparação nacional: RS acelera, Brasil ainda patina
Segundo o Instituto Trata Brasil, em 2022 apenas 36% da população gaúcha tinha coleta de esgoto. A média nacional era de 55%. Com os avanços recentes, o Estado começa a reduzir a distância, mas ainda precisa correr para alcançar líderes como São Paulo, que já superou 90% de cobertura. Internacionalmente, países como Chile e Uruguai já atingiram índices próximos da universalização, mostrando que o desafio é possível — mas exige constância.
Tecnologia: perdas caem de 44% para 40%
O Centro de Operações Integradas monitora em tempo real 312 unidades e mais de 4,3 mil ativos. O índice de perdas caiu de 44% para 40%, graças ao uso de satélites e geofonia que localizaram 27 mil vazamentos ocultos. São números que colocam a Corsan em linha com práticas de utilities europeias, onde a meta é manter perdas abaixo de 30%.
Produção própria: fábrica de tubos e usina de asfalto
O Parque de Infraestrutura e Inovação, em Esteio, garante autonomia: até 200 km de tubulações por mês e produção de sulfato de alumínio para tratamento de água. Essa verticalização reduz custos e acelera obras, modelo semelhante ao adotado por companhias de saneamento na Ásia.
Impacto social: 240 mil famílias na Tarifa Social
A inclusão também avança. A Tarifa Social saltou de 45 mil para 240 mil famílias, beneficiando 640 mil pessoas. Projetos educativos como a Patrulha contra os Vilões do Esgoto já envolveram 10 mil estudantes em 22 cidades, aproximando o saneamento da vida cotidiana.
O Rio Grande do Sul está diante de uma oportunidade única: transformar um déficit histórico em referência nacional. O desafio é manter o ritmo até 2033. Como sintetiza Samanta Takimi: “Quando falamos em universalização, falamos de uma transformação que chega à vida das pessoas e ao futuro das cidades.” (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)