Domingo, 19 de abril de 2026

Covid longa afeta o cérebro e pode causar mais de 200 sintomas, diz estudo

Um estudo internacional com a participação de uma única pesquisadora brasileira, da Unicamp, apontou que a covid longa, uma condição crônica associada à infecção, pode provocar pelo menos 200 sintomas diferentes, como fadiga e falta de ar, mas muitos deles estão relacionados ao cérebro e à saúde mental.

O trabalho identificou que os sintomas envolvem questões neuropsiquiátricas que vão desde disfunção cognitiva, distúrbios do sono e depressão até a perda de memória.

Segundo o artigo de revisão publicado na revista científica Nature Reviews Disease Primers, a condição pode afetar inclusive pessoas que tiveram quadros leves ou sem sintomas durante a infecção pelo coronavírus.

Professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, a neurologista Clarissa Yasuda é a única brasileira entre os 14 especialistas que assinam o artigo, e destacou que os sintomas provocam impactos profundos na qualidade de vida.

“Nós identificamos, mesmo nos indivíduos que não tinham tido sintomas ou a covid era muito leve, que eles apresentavam sintomas neurológicos e psicológicos, para nossa surpresa. Tem gente que tem manifestação muito leve, mas tem gente que tem manifestações e combinações que são incapacitantes. Muita gente não conseguiu voltar a trabalhar com a mesma capacidade que tinha antes da infecção”, disse.

A pesquisa ressalta ainda que entre crianças e adolescentes, a covid longa pode atrapalhar o convívio social e o aprendizado.

Impactos

O professor universitário Cláudio Romanelli testou positivo para a covid-19 no começo de 2020. Ele não desenvolveu problemas respiratórios, mas já naquela época surgiram sintomas nos rins e no coração.

Depois de um tempo, apareceram problemas de pressão arterial e no sistema nervoso, e desde então Cláudio segue com tratamentos para distúrbios do sono e outras doenças neurológicas por conta da covid longa.

“Tenho que viver recluso, como uma pessoa que está doente, basicamente é isso. É uma vida controlada, sem muita exposição, sem nenhum tipo de excesso. Meu corpo nunca mais voltou ao normal”, afirmou.

Clarissa Yasuda explica que ainda é preciso avançar nos estudos para que se identifique uma cura para a covid longa. A neurologista reforça que não existe uma resposta única nem definitiva até o momento.

“São várias descobertas que foram feitas nesses últimos seis anos e são diversos mecanismos. Então tem algumas hipóteses e estudos que mostram que o vírus da covid pode ativar vírus que estavam latentes, como o de herpes, Epstein-Barr ou outros vírus. Está relacionado a sintomas neurológicos e psicológicos”, pontua.

Como evitar?

Sem tratamento ou exames específicos, a única forma comprovada de evitar a Covid longa é, até o momento, prevenir a infecção pelo coronavírus.

Por isso, especialistas reforçam a importância da vacinação em dia, uma vez que as pessoas imunizadas têm menor risco de desenvolver a condição, além de evitar reinfecções, já que ainda não se sabe como múltiplas infecções ao longo do tempo podem impactar o organismo. (Com informações do portal de notícias g1)

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