Segunda-feira, 18 de maio de 2026

Cúpula de partidos do Centrão veem neutralidade como caminho após crise com Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Integrantes de partidos do Centrão divergem sobre qual caminho adotar diante da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, após a divulgação de diálogos em que ele aparece pedindo recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

As cúpulas nacionais do PP, União Brasil e Republicanos ainda não tomaram uma decisão oficial, mas avaliam adotar uma postura de neutralidade na disputa presidencial de 2026, liberando os filiados para apoiarem os candidatos que considerarem mais adequados em cada estado.

Por outro lado, um grupo de parlamentares e dirigentes mais alinhados ao bolsonarismo defende que os partidos apoiem a construção de uma candidatura de direita alternativa à de Flávio Bolsonaro. Essa ala entende que as siglas precisam participar de forma mais ativa da eleição presidencial para garantir influência em um eventual novo governo.

Mesmo com o desgaste provocado pela crise, esse grupo acredita que ainda existe espaço para uma candidatura competitiva contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar das discussões, os comandos nacionais das legendas evitam assumir compromisso com qualquer candidatura neste momento. Desde o início, PP, União Brasil e Republicanos mantiveram diálogo com o bolsonarismo, mas sem declarar apoio formal a Flávio Bolsonaro.

A crise ganhou força após o site Intercept Brasil divulgar mensagens, áudios e documentos sobre negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, o acordo previa aportes de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, mas apenas R$ 61 milhões teriam sido repassados.

Um integrante da Executiva Nacional do PP afirmou que a prioridade da legenda é ampliar a bancada no Congresso Nacional. Nesse cenário, a neutralidade permitiria que lideranças regionais formassem alianças mais vantajosas em seus estados, seja com Lula, com o bolsonarismo ou com outros grupos de direita.

Nos bastidores, parlamentares ligados ao bolsonarismo chegaram a sugerir alternativas para substituir Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Entre os nomes cogitados está o da senadora Tereza Cristina para a Presidência, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como candidata a vice.

O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, negou que o assunto esteja sendo debatido pela legenda.

“Não conversei com ninguém sobre isso”, afirmou.

O deputado Elmar Nascimento, vice-presidente nacional do União Brasil, também minimizou a discussão e disse que o tema “não consta” nas conversas internas do partido.

Já o deputado Cláudio Cajado afirmou que alguns parlamentares defendem a ideia, mas ressaltou que a proposta não é discutida pelas lideranças nacionais.

“Tem um grupo querendo, mas as lideranças não”, declarou.

Aliados de Michelle Bolsonaro avaliam, contudo, que o PL dificilmente abandonará a candidatura de Flávio sem o aval de Jair Bolsonaro. Segundo interlocutores, o ex-presidente conversou recentemente com o filho e reforçou que ele segue como pré-candidato ao Palácio do Planalto.

A crise também provocou desgaste na relação entre Flávio Bolsonaro e partidos do Centrão, especialmente o PP.

Na semana passada, a Polícia Federal identificou mensagens em que Daniel Vorcaro questiona o primo, Felipe Vorcaro, sobre atrasos em pagamentos destinados ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Os diálogos mencionam ainda um suposto aumento de R$ 300 mil para R$ 500 mil em pagamentos mensais destinados a uma estrutura que, segundo a PF, estaria vinculada ao parlamentar. A defesa de Ciro Nogueira nega irregularidades.

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