Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de outubro de 2026
A defesa de Daniel Vorcaro entregou na quinta-feira (29) ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma perícia particular realizada no telefone celular do dono do extinto Banco Master, que foi apreendido pela PF (Polícia Federal) no dia 17 de novembro de 2025.

O laudo apresentado concluiu que centenas de arquivos foram criados e modificados após a apreensão do aparelho, que é a principal prova das relações de Vorcaro com políticos e das supostas irregularidades financeiras no BRB (Banco Regional de Brasília).
De acordo com o documento, 657 arquivos que estavam no celular foram modificados e 436 criados. Para os advogados de Vorcaro, a perícia demonstra que não é possível verificar a integralidade do conteúdo do celular apreendido e avaliar o alcance das alterações nos arquivos.
“É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado”, declarou a defesa.
O relatório técnico não identifica quem modificou os arquivos do celular de Vorcaro nem confirma se houve uma adulteração humana deliberada.
Diante das conclusões periciais, a defesa pediu ao Supremo que a PF entregue os dados originais do celular para verificação e ressaltou que a soltura do banqueiro é obrigatória após as revelações do laudo particular.
“É inconcebível que Daniel Vorcaro esteja custodiado há mais oito meses, com a liberdade restringida há quase um ano, sem que haja contra ele qualquer acusação formal ou perspectiva de processo, o que torna sua soltura urgente, necessária e obrigatória”, afirmou a defesa.
Segundo o pedido, o registro de modificação, isoladamente, não permite concluir que a alteração tenha sido realizada diretamente por uma pessoa. “Evidencia, contudo, que o estado do arquivo foi alterado enquanto o aparelho se encontrava sob custódia estatal”, afirmou a defesa.
Indiciamento
Vorcaro e mais 14 investigados na Operação Compliance foram indiciados pela PF na quarta-feira (28). De acordo com o relatório do indiciamento, o banqueiro teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que causaram prejuízos ao BRB.
“Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição”, concluiu a PF.
Todos os investigados foram acusados dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Defesa
Após o indiciamento, os advogados do banqueiro negaram que as operações do BRB tenham causado prejuízo ao banco público. Na avaliação dos advogados, um ano após o início das investigações, a PF se “limita a repetir a mesma narrativa” e não conseguiu avançar nas apurações.
“O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno Consultoria não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo”, afirmou a defesa.