Domingo, 24 de maio de 2026

Deputados têm R$ 165,8 mil mensais para pagar funcionários; saiba o que é a verba de gabinete

Os deputados federais recebem, além do salário mensal de R$ 46,4 mil, uma verba extra no valor de R$ 165,8 mil por mês. Esse dinheiro, chamado de “verba de gabinete”, serve para pagar os salários de até 25 secretários parlamentares que auxiliam os deputados no exercício do mandato em Brasília e nos estados, contratados sem a necessidade de concurso público.

A verba de gabinete está exclusivamente ligada ao pagamento da folha de pessoal. O salário dos secretários parlamentares variam de R$ 1.710 a R$ 25.958. Outras despesas com a manutenção do mandato, como passagens aéreas, combustível, divulgação e alimentação são custeadas com outra rubrica, a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), ou “cotão”.

O valor da verba de gabinete foi atualizado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2026, após a Casa aprovar o aumento do salário dos secretários parlamentares.

Na ocasião, para fazer frente ao aumento da despesa, Motta editou um ato da Mesa elevando de R$ 133,2 mil para os atuais R$ 165,8 mil a verba.

Caso Mario Frias

Reportagem do g1 revelou que uma ex-funcionária do gabinete do deputado federal Mario Frias (PL/SP) teria devolvido parte do salário ao então chefe de gabinete e realizado pagamentos a familiares do parlamentar entre fevereiro de 2023 e março de 2024.

Entre os comprovantes obtidos estão um PIX de R$ 1 mil para a mãe do deputado e o pagamento de uma fatura de cartão de crédito da esposa dele, no valor de R$ 4.832,32.

De acordo com a reportagem, a ex-funcionária também realizou cinco empréstimos consignados, totalizando R$ 174.886. Parte dos valores teria sido repassada ao então chefe de gabinete em datas próximas às operações.

Os extratos bancários mostram transferências sucessivas para o chefe de gabinete, sua ex-esposa e outra parente, somando pelo menos R$ 35,1 mil em movimentações identificadas.

A ex-funcionária afirmou que havia um acordo para devolução de parte do salário e disse que outras pessoas também participavam de práticas semelhantes no gabinete.

Procurada, ela confirmou os repasses e afirmou que as transferências eram feitas com conhecimento do então chefe de gabinete e do parlamentar.

O g1 teve acesso com exclusividade a comprovantes de PIX e extratos bancários da conta de Gardênia Morais no Banco do Brasil, na qual ela recebia o salário pago pela Câmara. O valor líquido do salário, após todos os descontos, variou no período entre R$ 10 mil e R$ 21 mil.

Os documentos indicam que Gardênia transferia o salário da conta do BB para outra conta de sua titularidade, no Itaú, e dessa conta repassava valores para o então chefe de gabinete, Raphael Azevedo, ou para a ex-mulher e outra parente dele.

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