Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de agosto de 2026
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (28) que a corporação atua de forma “imparcial” e “sem viés político” e que, durante sua gestão, a instituição cumpriu sua missão “sem proteger nem perseguir ninguém”. As declarações foram feitas em meio ao desgaste na relação entre o comando da PF e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator na Corte de casos relacionados a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco Master.
A manifestação também ocorreu um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar, em entrevista à TV Globo, que a Polícia Federal estaria “vazando coisas” para a imprensa relacionadas a seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
“Hoje temos uma polícia que atua com autonomia, guiada pela Constituição Federal e pelas leis, pela responsabilidade institucional e pelo compromisso com a Justiça e a sociedade brasileira. Tenho total tranquilidade em afirmar, sem rodeios, que nesta gestão trabalhamos com transparência e foco na missão institucional, sem proteger ou perseguir, com atuação vigorosa e intransigente no combate ao crime organizado”, afirmou Andrei durante a formatura de novos agentes da corporação, realizada na Academia Nacional da PF, em Brasília.
Na cerimônia, o diretor-geral também destacou o caráter técnico da atuação da instituição e afirmou que essa postura permite à PF enfrentar eventuais críticas e ataques.
“Nunca se esqueçam que a atuação técnica, imparcial, livre de qualquer viés político, é o que nos permite defender nossa instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha”, completou.
Antes de assumir a direção-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues foi responsável pela segurança de Lula durante a campanha eleitoral de 2022.
As investigações conduzidas pela PF sobre suspeitas de fraudes no INSS têm provocado repercussão política e fornecido argumentos aos adversários do governo no debate sobre corrupção. A partir de elementos obtidos no inquérito, a corporação abriu três investigações relacionadas às relações de Fábio Luís Lula da Silva com uma lobista que mantinha atuação junto a ministérios na tentativa de viabilizar contratos públicos. Dois dos casos estão sob relatoria de André Mendonça e um é conduzido pelo ministro Flávio Dino, também do STF.
A PF também investiga os gastos relacionados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O projeto entrou no radar dos investigadores por ter recebido financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que está preso. O caso também passou a ter repercussão eleitoral porque o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, teria solicitado valores milionários diretamente a Vorcaro antes da prisão do banqueiro.
Nos últimos dias, Lula pediu a Andrei Rodrigues que se reunisse com André Mendonça para tentar reduzir a tensão entre o comando da Polícia Federal e o ministro do STF. Segundo informações do jornal O Globo, confirmadas por três interlocutores do presidente, Lula demonstrou a aliados preocupação com o nível de tensão institucional entre os dois e defendeu uma conversa para diminuir as divergências.
Auxiliares do presidente avaliam que o encontro poderá ocorrer nos próximos dias. A agenda estaria sendo articulada e teria como possível mediador o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.