Sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Documento assinado pela produtora do filme “Dark Horse” relata pressões para fazer delação premiada

Um documento assinado por Karina Gama, proprietária da produtora Go Up, responsável pelo filme “Dark Horse”, relata supostas pressões que ela teria sofrido para firmar um acordo de delação premiada. O documento foi localizado pela Polícia Federal durante uma operação de busca e apreensão realizada nessa quinta-feira (10), em um endereço ligado à empresária.

A declaração circunstanciada de fatos é datada de 4 de setembro e teve a firma de Karina reconhecida em cartório. O documento possui quatro páginas e, segundo o relato apresentado por ela, três pessoas teriam feito contato desde maio para sugerir ou pressioná-la a celebrar um acordo de colaboração premiada.

Entre as pessoas citadas está o jornalista Breno Pires, da revista Piauí. Ele é autor de uma reportagem publicada no início deste mês que revelou um novo repasse feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, no valor de US$ 1,6 milhão, para um fundo que financiou a produtora responsável pela realização do filme.

De acordo com o relato apresentado por Karina, Pires teria entrado em contato com ela em 3 de setembro deste ano. A empresária afirma que o jornalista já havia feito questionamentos anteriormente sobre a possibilidade de ela realizar uma delação premiada.

“O referido jornalista já havia anteriormente formulado questionamentos relacionados à possibilidade de eu realizar uma delação premiada, no sentido de me incentivar a realizar tal procedimento”, diz a dona da produtora, segundo o termo circunstanciado.

Karina, entretanto, não apresenta provas que comprovem esse relato no documento. Ainda de acordo com a versão apresentada por ela, durante o contato mais recente, o jornalista teria afirmado que ela estaria “servindo de bucha de canhão para o candidato”. A expressão teria sido utilizada, segundo a empresária, em referência ao contexto político relacionado aos fatos atualmente investigados.

No mesmo relato, Karina afirma que a fala de Pires teria dado a entender que, caso ela não colaborasse com as autoridades por meio de uma delação premiada, poderia ser alvo de medidas judiciais. O documento, porém, não esclarece a qual candidato a empresária estaria se referindo ao mencionar a expressão.

Além do jornalista, Karina cita outras duas pessoas que, segundo sua versão, também teriam feito contatos com o objetivo de pressioná-la a buscar um acordo de colaboração. A informação sobre essas duas pessoas foi revelada pela revista Veja.

Uma delas seria o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney. Segundo o relato de Karina, Sarney teria afirmado ter proximidade com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A outra pessoa mencionada seria um pastor, cuja identidade não foi informada pela empresária.

Procurado pela Veja, Fernando Sarney negou o relato apresentado por Karina. A negativa é uma das versões relacionadas às informações registradas no documento.

No termo circunstanciado, Karina também afirma que não pretende firmar um acordo de delação premiada. Segundo ela, não haveria informações a serem reveladas às autoridades e ela não teria cometido irregularidades que justificassem uma colaboração desse tipo.

O documento foi localizado no contexto das investigações conduzidas pela Polícia Federal e reúne a versão apresentada pela empresária sobre os contatos que teria recebido e as supostas pressões para que colaborasse com as autoridades. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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