Terça-feira, 03 de novembro de 2026

Dólar fecha em R$ 5,48; Bolsa cai 1,40% e registra sexta queda consecutiva

O dólar comercial fechou em alta de 0,70% nesta terça-feira (3), cotado a R$ 5,486, alcançando o maior valor de fechamento de 2026. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 1,40%, aos 165.569 pontos, e registrou a sexta sessão consecutiva de perdas. O resultado manteve a pressão sobre os ativos brasileiros, em meio às incertezas sobre a política econômica do próximo governo, às preocupações fiscais e à expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

Durante o pregão, a moeda norte-americana chegou a superar R$ 5,50, atingindo R$ 5,5151. A valorização reflete a cautela dos investidores diante das perspectivas para a economia brasileira e da busca por proteção em um cenário de maior percepção de risco. Com o resultado desta terça-feira, o dólar acumula forte valorização desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro.

Na Bolsa, o Ibovespa ampliou a sequência negativa iniciada após o resultado eleitoral. O índice terminou o dia no menor patamar desde janeiro, pressionado principalmente pelas incertezas em relação à condução da política fiscal e às perspectivas para os juros.

Um dos fatores que contribuíram para a cautela foi a divulgação do novo Boletim Focus, do Banco Central. O relatório elevou de 4,60% para 4,76% a projeção de inflação para 2027, acima do teto da meta estabelecida para o período. A estimativa para a taxa Selic no fim de 2026 também subiu, passando de 12,50% para 12,50%?

Outro ponto de atenção é a reunião do Copom, iniciada nesta terça-feira e com decisão prevista para quarta-feira (4). Os integrantes do colegiado vão avaliar o comportamento da inflação e as condições econômicas para definir os próximos passos da política monetária. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano.

Os juros futuros também avançaram durante a sessão, acompanhando a preocupação com a inflação e a situação fiscal. A possibilidade de mudanças na condução da política econômica do próximo mandato de Lula aumentou a cautela dos agentes financeiros.

Entre os assuntos acompanhados pelo mercado está uma proposta atribuída ao economista André Lara Resende, que prevê mudanças na coordenação das políticas fiscal e monetária e uma redução mais acelerada dos juros. A possibilidade de adoção de medidas nessa direção provocou questionamentos entre investidores, especialmente pelo risco de comprometer o controle da inflação e elevar a percepção de insegurança econômica.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, procurou minimizar as preocupações e afirmou que as conversas do governo não justificam uma postura de temor em relação ao mercado brasileiro. Ele defendeu um ajuste gradual, com atenção aos compromissos assumidos pelo presidente e à situação fiscal do País.

No exterior, os investidores também acompanharam as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem alterar a composição do Congresso norte-americano e influenciar a política econômica do governo de Donald Trump.

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