Terça-feira, 03 de novembro de 2026

Lideranças começam articulação para disputar o Ministério da Agricultura

As articulações para definir o comando do Ministério da Agricultura no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começaram a ganhar força em Brasília. Diferentes lideranças políticas e representantes do agronegócio buscam espaço na composição do próximo governo, enquanto o PSD tenta preservar a influência que mantém sobre a pasta.

A definição do futuro ministro deverá fazer parte das negociações mais amplas para a formação da equipe de Lula a partir de 2027. Além da experiência no setor, a capacidade de articulação política e o relacionamento com o Congresso Nacional deverão pesar na escolha, especialmente diante da necessidade de ampliar a base de apoio do governo.

O PSD, que indicou os titulares da Agricultura durante a atual gestão, aparece entre os partidos com possibilidades de continuar à frente do ministério. Nesse cenário, uma das alternativas é a permanência de André de Paula, atual titular da pasta.

Embora não tenha trajetória diretamente ligada ao agronegócio, André de Paula conquistou apoio de representantes do setor por seu perfil político e pela abertura ao diálogo. A avaliação é de que sua permanência poderia ajudar o governo a melhorar o relacionamento com o empresariado rural e reduzir resistências ao novo mandato.

O ministro também conta com o respaldo de integrantes do PSD na Câmara dos Deputados. Caso permaneça no cargo, pretende ter maior autonomia para organizar sua equipe e substituir ocupantes de cargos estratégicos. Quando assumiu o Ministério da Agricultura, em abril, após deixar a pasta da Pesca, herdou diversos nomes indicados pelo antecessor Carlos Fávaro.

O próprio Fávaro também trabalha para retornar ao governo. O senador do PSD por Mato Grosso não conseguiu se reeleger e deixará o mandato em janeiro. Apesar da movimentação, interlocutores em Brasília consideram reduzidas suas chances de voltar ao comando da Agricultura. Uma alternativa seria ocupar outro cargo na estrutura federal, eventualmente no segundo escalão.

Outro nome que busca apoio é Carlos Augustin, empresário do setor de sementes e ex-assessor especial de Fávaro. Ele tenta reunir manifestações favoráveis de entidades ligadas ao agronegócio e articula sua indicação por meio do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de quem é correligionário. Apesar da experiência no setor, enfrenta dificuldades para construir apoio político suficiente.

O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) também aparece entre os interessados. Ex-secretário de Agricultura de São Paulo durante o governo de Geraldo Alckmin, entre 2015 e 2018, o parlamentar é reconhecido pela capacidade de diálogo com diferentes segmentos do setor produtivo. Um dos obstáculos à sua indicação é o apoio que a bancada ruralista manifestou a Flávio Bolsonaro (PL) durante o segundo turno da eleição presidencial. Jardim ocupa a vice-presidência da Frente Parlamentar da Agropecuária.

A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, também passou a ser considerada para uma eventual mudança de função. Seu desempenho técnico e a capacidade de articulação com movimentos sociais e integrantes do governo são apontados como pontos favoráveis. Existe a possibilidade de permanecer no atual ministério ou assumir a Agricultura, embora essa segunda hipótese seja considerada menos provável.

Entidades ligadas à agricultura familiar defendem a continuidade de Machiaveli no Desenvolvimento Agrário. A ministra participou da campanha de Lula e ampliou sua proximidade com integrantes do governo e com a primeira-dama, Janja.

A composição do Ministério da Agricultura também poderá ser influenciada pela necessidade de acomodar aliados políticos que não conseguiram se eleger. Entre os nomes mencionados nesse contexto estão Edegar Pretto, Paulo Pimenta e Patrus Ananias, todos ligados ao PT.

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