Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Dólar tem leve queda e fecha valendo 5 reais e 42 centavos

O apetite ao risco no exterior, com a alta firme dos índices acionários em Nova York e enfraquecimento global da moeda norte-americana, abriu espaço para um recuo, ainda que modesto, do dólar mercado de câmbio doméstico na sessão dessa terça-feira (19).

Tirando uma alta pontual pela manhã, quando tocou máxima a R$ 5,4313, a moeda operou em queda ao longo de todo o pregão e chegou a esboçar fechamento abaixo de R$ 5,40, ao descer até mínima de R$ 5,4313 no meio da tarde. No fim do dia, a divisa havia reduzido o ritmo de perdas e era cotada a R$ 5,4202, em baixa de 0,10%.

Operadores veem o tropeço do dólar como um movimento natural de ajustes e realização de lucros por parte das tesourarias, dada a forte rodada de depreciação do real nas últimas semanas.

Embora ainda haja cautela com o cenário político e fiscal doméstico, os negócios são balizados principalmente pelo ambiente externo. Investidores monitoram a chance de recessão global em meio à alta de juros nos Estados Unidos e na Europa. Há também dúvidas sobre o fôlego da economia chinesa, que enfrenta problemas no setor imobiliário e convive como vaivém de medidas restritivas para combate à covid.

Depois de chegar a operar abaixo da paridade com o dólar, o euro ensaiou nessa terça uma recuperação, favorecido pela possibilidade de que o Banco Central Europeu (BCE) eleve a taxa básica em 50 pontos-base nesta quinta (21), segundo informação da Reuters.

A taxa anual de inflação ao consumidor na zona do euro, divulgada pela manhã, acelerou de 8,1% em maio para 8,6% em junho, nova máxima histórica. Enquanto se especula em ação mais dura do BCE, consolida-se a aposta de que o Federal Reserve (banco central americano) vai anunciar nova alta de 75 pontos-base na taxa básica na semana que vem (dia 27), em vez dos 100 pontos aventados recentemente com números de inflação acima do esperado.

Em meio a esse jogo de forças, investidores aparam excessos e recalibram as apostas em fortalecimento adicional da moeda americana. O índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes, sobretudo o euro e o iene – passou a operar abaixo da linha dos 107 pontos, após ter superado 108 pontos na semana passada.

O DXY ainda acumula alta de quase 2% em julho e de mais de 11% no ano. O dólar também perdeu força em relação à maioria das divisas emergentes e de países exportadores de commodities, mas subiu frente a pares do real como o peso mexicano e o colombiano.

O economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, classifica a perda de força da moeda americana nessa terça com um movimento pontual, em meio à possibilidade de uma alta maior dos juros pelo BCE. Como Estados Unidos ainda devem exibir taxas de juros e desempenho econômico superiores ao de zona do euro e Reino Unido, o dólar segue bem posicionado frente tanto ao euro quanto a libra.

Por aqui, Velho vê chance de nova rodada de depreciação do real ao longo desta semana, dados os ruídos políticos e uma política fiscal expansionista no curto prazo que, por questões políticas, será de difícil reversão em 2023.

Apesar da influência do ritmo de aperto monetário nos países desenvolvidos sobre a formação da taxa de câmbio, o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, vê o real muito mais suscetível ao desempenho da economia chinesa e seus reflexos direitos na cotação dos preços das commodities.

“O grande ponto para o Brasil é a China. Se melhorar, puxa o dólar para baixo aqui, que hoje está esticado. Vejo um dólar médio na casa de R$ 5,20”, diz Velloni, para quem a taxa de câmbio já incorporou boa parte dos riscos políticos e fiscais recentes.

O minério de ferro fechou em queda de 3,27% em Qingdao, na China, devolvendo boa parte dos ganhos da sessão anterior, quando subiu mais de 2% na esteira de sinais de apoio do governo chinês ao setor imobiliário. A cotação futura do cobre, que também havia disparado na segunda (18), caiu nessa terça. Houve notícias sobre o aumento de infecções por coronavírus em diversas cidades da China. E, segundo o The Wall Street Journal, dos principais centros financeiros do país, Xangai e Tianjin, ordenaram uma nova rodada de testes em massa.

Na contramão, as cotações do petróleo se recuperaram e apresentaram leve alta. Com o arrefecimento recentes dos preços da commodity, a Petrobras anunciou redução do litro da gasolina em R$ 0,20 nas suas refinarias, uma queda de cerca de 5%. A partir desta quarta (20), o litro da gasolina passa a custar R$ 3,86 para as distribuidoras.

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