Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Restrições a importações na Argentina preocupam o setor calçadista brasileiro

Indústrias brasileiras que exportarem produtos para a Argentina até setembro de 2022 só devem receber o pagamento pelas mercadorias vendidas em até 180 dias. A medida anunciada no fim de junho por meio de resolução do Banco Central do país vizinho surpreendeu o setor calçadista, principalmente em Franca (SP).

Segundo o Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca), a Argentina é o terceiro mercado consumidor do produto fabricado na cidade do interior de São Paulo, perdendo apenas para Estados Unidos e Chile.

Volume de negócios de janeiro a maio deste ano:

— EUA: 16 milhões de dólares
— Chile: 3,9 milhões de dólares
— Argentina: 1,9 milhões de dólares

A resolução é referente à gestão do ministro da Economia, Martín Guzmán, que renunciou em 2 de julho, e é uma alternativa para barrar a saída de dólares do país.

“A principal situação aí é problema de fluxo de caixa, né? Eles não têm dólar para poder estar importando, então eles estão estabelecendo regras que mercadorias despachadas até 30 de setembro, só daqui 180 dias para fazer o pagamento. Isso coloca em dúvida, em cheque, as exportações para a Argentina”, diz o presidente do Sindifranca, José Carlos do Couto Brigagão.

Outros mercados

Para Brigagão, o prazo de pagamento alterado sem aviso prévio afeta principalmente os pequenos e médios empresários. O setor deve buscar novos mercados externos para compensação.

“O que não deve acontecer é colocar os ovos tudo numa cesta só, ou seja, nós temos que diversificar para vários países para poder não sofrer as consequências de uma atitude inesperada como esta, né? Agora, aquelas empresas que destinam as suas exportações somente para a Argentina ou grande parte somente para Argentina, elas vão ter problema? Vão ter que ter capital de engenheiro para poder estar bancando as exportações de calçados para receber depois de 180 dias. É uma situação que realmente preocupa”, diz.

Há cerca de dez dias, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, esteve reunido com representantes da Comissão do Mercosul e Assuntos Internacionais para discutir o assunto.

As preocupações do setor foram apresentadas ao cônsul-geral da Argentina no Rio Grande do Sul, Jorge Perren, que se comprometeu a apresentar as demandas brasileiras à Embaixada e ao Ministério da Economia argentinos.

Crise

A inflação oficial em junho ficou em 5,3%, mas o acumulado em 12 meses é de 60,7%, uma das mais altas do mundo. Para tentar conter a inflação, o Banco Central argentino já aumentou a taxa básica de juros para 52% ao ano.

Com a inflação nas alturas, 4 em cada 10 cidadãos se encontram abaixo da linha da pobreza.

Os argentinos que podem fogem da inflação comprando dólar. Mas a crise aumentou a variedade de câmbios. Do de julho até agora, a cotação do dólar já subiu 22%. Um dólar no paralelo é vendido a mais do que o dobro da cotação oficial.

O presidente Alberto Fernández e a vice Cristina Kirchner não se entendem sobre a condução da política econômica do país, o que agrava o cenário. O aumento de gastos, defendido por Kirchner, levou o ministro da Economia a renunciar. A substituta dele é Silvina Batakis, considerada aliada da vice-presidente e alinhada à esquerda.

As incertezas só pioram com a possibilidade de medidas como uma desvalorização ainda maior da moeda argentina para atrair capitais ou até dolarização da economia.

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