Domingo, 30 de agosto de 2026

Domingo: a pausa que celebra os pequenos momentos

Entre tantas preocupações que permeiam meus pensamentos sobre o futuro do planeta e os rumos da humanidade, o domingo merece uma reflexão mais leve. É como se fosse um respiro necessário, uma pausa que nos lembra que a vida não se resume às urgências e às inquietações, mas também se constrói nos instantes simples que se tornam memória.

Dentro do modelo de vida social, o domingo sempre foi o dia da pausa. É o dia de ficar com a família, de desacelerar, de permitir que o tempo corra em outro ritmo. Lembro dos meus domingos com meus filhos ainda crianças, principalmente nos dias frios de inverno. Era um momento importante de procurar uma praça ou um local de sol agradável para um passeio em família. O calor tímido do sol parecia aquecer não apenas o corpo, mas também a alma, criando uma atmosfera de aconchego e pertencimento.

Hoje, com os filhos crescidos e o estilo de vida transformado pelo uso constante dos celulares, pela praticidade dos espaços climatizados e pelas inúmeras opções de atrações em ambientes fechados, tudo parece ter mudado. A tecnologia trouxe conforto e conveniência, mas também alterou a forma como nos relacionamos com o tempo e com o espaço. Ainda assim, passear em uma praça numa tarde de sol continua sendo uma cena possível e, felizmente, ainda visível. Famílias se reúnem, crianças correm, pais se divertem junto com os filhos — ou talvez sejam os filhos que se divertem com os pais, não sei ao certo quem aproveita mais. O que importa é que a alegria compartilhada se torna um elo invisível, capaz de atravessar gerações.

Esses pequenos momentos merecem celebração e agradecimento. Porque a vida pode, sim, ser feita de instantes aparentemente simples, mas que, guardados na memória, se revelam valiosos. Uma caminhada sem pressa, uma conversa despretensiosa, o riso espontâneo de uma criança, o silêncio cúmplice de quem apenas observa o movimento da praça — tudo isso compõe um mosaico de lembranças que nos sustentam quando o mundo parece pesado demais.

O domingo, nesse sentido, não é apenas um dia da semana. É um símbolo de resistência contra a pressa, contra a lógica da produtividade incessante. É o dia em que podemos nos permitir contemplar, agradecer e reconhecer que, apesar das preocupações globais, a vida também se constrói nos detalhes e no presente. Talvez seja justamente nesses detalhes que encontramos forças para enfrentar os grandes desafios. Afinal, quem guarda na memória a luz de um domingo ensolarado carrega consigo uma reserva de esperança.

Celebrar o domingo é celebrar a vida em sua forma mais essencial. É reconhecer que, mesmo em tempos de mudanças aceleradas, ainda há espaço para o encontro, para o afeto e para a simplicidade. E se o futuro da humanidade nos preocupa, que ao menos o presente nos ofereça o consolo de um instante de paz. Porque, no fim das contas, são esses pequenos momentos que nos lembram que viver é, sobretudo, aprender a valorizar o que parece passageiro, mas que permanece em nós como uma marca indelével.

Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Movimentos sociais promovem ato em Porto Alegre pelo fim da escala 6×1
Recesso e eleição travam ofensiva contra Lulinha
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play