Segunda-feira, 22 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de junho de 2026
O brasileiro comum não percebe com clareza, mas a cada compra realizada uma parcela considerável do valor pago corresponde aos impostos embutidos no preço cobrado. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, o Brasil ostenta uma das mais pesadas cargas tributárias do planeta. Alimentos básicos carregam em média 20% em impostos.
A carne bovina, 19%. O óleo de cozinha, 37%. Geladeiras, fogões e televisores, 45%. Telefones celulares 40% e os serviços de telefonia e internet 35%. Os combustíveis, 30% a 50%; os automóveis populares, 38%; os cigarros, 70% e as bebidas alcoólicas, entre 40% e 60%.
Traduzindo esses números para a realidade cotidiana: quem compra uma geladeira de R$ 3.000 está, na prática, entregando R$ 1.350 ao governo. Países como a Dinamarca, a Suécia e a Alemanha também arrecadam muito, mas com uma diferença fundamental: lá os hospitais funcionam, as escolas têm qualidade, o transporte público é adequado e a segurança estatal protege. No Brasil, o contribuinte paga como um escandinavo e recebe como um morador de país pobre.
Paralelamente, chama a atenção o enorme volume de recursos que circulam anualmente na economia brasileira. Estimativas do Banco Central indicam que as transações realizadas usando dinheiro, PIX, TED, cartões, boletos, cheques e os demais instrumentos de pagamento alcançam cerca de R$ 140 trilhões por ano.
Quando entram na conta as operações financeiras, cambiais, interbancárias e os mercados de títulos e derivativos, os valores atingem centenas de trilhões de reais. Diante desses números, surge uma proposta alternativa de eliminar a circulação de moeda física e concentrar todas as transações em meios digitais, especialmente o PIX.
A atual estrutura de arrecadação seria substituída por uma tributação única incidente sobre todas as movimentações financeiras. Feito isso, com uma alíquota de apenas 3% aplicada sobre um fluxo anual de R$ 140 trilhões, o governo poderia gerar uma arrecadação próxima a R$ 4 trilhões por ano, valor semelhante ao atualmente recolhido pelos governos federal, estaduais e municipais somados.
Em tese, a simplificação tributária proposta poderia reduzir significativamente os preços dos produtos. Uma geladeira, hoje comercializada por R$ 3.000, por exemplo, poderia ter o seu preço reduzido para cerca de R$ 1.650, caso fossem eliminados os tributos atualmente incidentes. Com a cobrança adicional de 3%, o valor final pago pelo consumidor seria de aproximadamente R$ 1.700 e o comprador não reclamaria por pagar os 3% adicionais sobre o valor do PIX.
A proposta levanta uma série de questionamentos econômicos e operacionais. Entre eles, o incentivo à informalidade, os possíveis efeitos sobre o sistema financeiro, o impacto da tributação cumulativa e os desafios de um modelo baseado exclusivamente em transações eletrônicas.
O próprio autor da presente sugestão reconhece não possuir formação especializada em teoria econômica e apresenta a ideia como uma contribuição ao debate público, permanecendo a proposta aberta à análise crítica de economistas, tributaristas e formuladores de políticas públicas, sobre a sua viabilidade, vantagens e eventuais limitações.
*Eduardo Allgayer Osorio
Engenheiro Agrônomo, Professor Titular da UFPEL, aposentado