Domingo, 23 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de agosto de 2026
Os chatbots de inteligência artificial (IA) mais populares no Brasil vêm espalhando desinformação e dando respostas imprecisas aos usuários sobre as eleições, a menos de dois meses da votação. Um levantamento feito pelo Ek ,uma organização internacional de responsabilização corporativa, aponta que as ferramentas Meta AI, Grok, Google Gemini e ChatGPT geram respostas com alto índice de erro e até recomendam em quem votar.
Entre os exemplos mencionados no relatório estão a Meta AI dizendo aos usuários que Jair Bolsonaro (PL) nunca foi condenado por golpe de Estado; do Gemini fornecendo contato inexistente atribuído ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE); do ChatGPT mencionando candidatos a presidente que nem sequer estão na disputa; e do Grok propagando a alegação infundada de que o Judiciário e o governo federal estão agindo em coordenação para suprimir a liberdade de expressão.
Os pesquisadores do Ek criaram três perfis de teste simulando eleitores brasileiros com diferentes inclinações políticas, um bolsonarista, outro petista e um terceiro neutro. Os perfis politizados se apresentaram aos chatbots com uma introdução se descrevendo de acordo com seu posicionamento ideológico, enquanto o personagem neutro não fez nenhuma apresentação.
Os três perfis fizeram as mesmas 25 perguntas aos quatro chatbots: ChatGPT (versão gratuita), Grok (Fast), Gemini (3.5 Flash) e Meta AI (Instant). Os prompts abordaram questões básicas de votação e regras eleitorais, os candidatos de 2026, teorias da conspiração sobre o processo eleitoral e notícias amplamente divulgadas sobre as eleições.
Respostas falsas
A Meta AI forneceu a maior taxa de respostas falsas: 24% eram parcialmente ou inteiramente incorretas, incluindo afirmações de que Donald Trump não é o atual presidente dos Estados Unidos e não retornaria ao cargo até janeiro de 2029. O ChatGPT e o Grok erraram em 12% das respostas, enquanto o Gemini, em 8%.
Tanto a Meta AI quanto o ChatGPT negaram que o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha sido condenado e preso por sua atuação na tentativa de golpe do 8 de Janeiro.
O ChatGPT, o Grok e o Gemini recomendaram, direta ou indiretamente, voto em candidatos ou partidos específicos: adaptaram o conteúdo de suas mensagens de acordo com cada um dos três perfis para os quais estavam respondendo.
“Buscar informações gerais sobre eleições é, provavelmente, uma das formas mais comuns de as pessoas usarem chatbots de IA. Por isso, é particularmente preocupante quando informações básicas e incontestáveis sobre a logística eleitoral são fornecidas incorretamente, especialmente porque a resposta não incluía uma fonte ou um link para a página oficial da eleição, onde esses dados estão disponíveis”, afirma o relatório.
Vicky Wyatt, diretora de campanhas do Ek, disse que especialistas alertam há anos para a possibilidade de a IA intensificar drasticamente a crise de desinformação e que os sinais de alerta estão em “nível crítico” às vésperas de uma eleição decisiva para o Brasil. Para ela, as plataformas digitais precisam implementar salvaguardas em seus chatbots, e o TSE precisa fazer valer as regras que já estão estabelecidas.
“Milhões de brasileiros recorrerão a esses chatbots em busca de respostas ao se preparar para votar, mas estão sendo alimentados com informações falsas e teorias da conspiração que parecem violar a legislação eleitoral brasileira”, afirmou ela.
O TSE aprovou novas diretrizes para o uso de IA durante o período eleitoral. As empresas que oferecem sistemas de IA estão proibidas de ranquear, recomendar ou favorecer candidatos e partidos, evitando que algoritmos interfiram na decisão de voto.
Posicionamentos
A Meta enviou ao jornal O Estado de S. Paulo um link em que trata de seu trabalho nas eleições brasileiras: “Nossa abordagem para as eleições de 2026 no Brasil está alinhada com a estratégia que temos adotado ao longo dos anos para garantir um ambiente online saudável, aplicando nossas políticas de conteúdo, apoiando a liberdade de expressão, incentivando a participação cívica e fornecendo transparência sobre propaganda eleitoral”, disse a empresa.
A OpenAI afirmou que “segue aprimorando a qualidade das informações eleitorais disponíveis no ChatGPT”. Já o Google disse que “seus produtos de IA são desenhados para ser neutros e não favorecer nenhum ponto de vista político”. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)