Segunda-feira, 04 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de maio de 2026

Na Fenasoja, o Espaço Institucional da Emater/RS-Ascar deixa de ser uma vitrine tradicional para se transformar em um mapa vivo do território. Ali, o projeto “Conhecendo a Região” reorganiza a forma como o campo se apresenta, aproximando municípios, histórias e realidades que, embora vizinhas, muitas vezes pouco se conhecem.
A proposta busca responder a uma constatação construída no dia a dia da extensão rural: mesmo integrados à mesma regional, os 45 municípios atendidos ainda apresentam baixa conexão entre si. A iniciativa surge para romper essa distância silenciosa, criando um espaço de reconhecimento mútuo e circulação de experiências.
A Regional de Santa Rosa da Emater é uma das mais amplas do Rio Grande do Sul, abrangendo um território que vai da fronteira com a Argentina até a região das Missões. Essa extensão se traduz em uma diversidade produtiva que combina agricultura familiar, produção leiteira, grãos, agroindústrias e diferentes formas de organização comunitária.
Coordenado pela assistente técnica regional Lisete Primaz, o projeto foi desenhado como uma vitrine coletiva do território. Segundo ela, a proposta nasceu de uma percepção interna sobre a própria dimensão do trabalho desenvolvido na região.
“A Emater é organizada em 12 regionais no Estado, e a nossa abrange 45 municípios. Percebemos que muitos deles não tinham dimensão do conjunto da região nem do alcance do nosso trabalho. A partir disso estruturamos o ‘Conhecendo a Região’ como forma de integração”, explica.
O território que não se via por inteiro
Ao longo da Fenasoja, cerca de 35 municípios participam em sistema de rodízio, apresentando suas características institucionais, culturais e produtivas. Cada localidade expõe não apenas dados econômicos, mas modos de vida, tradições e formas de organização que, somadas, revelam um mosaico complexo e pouco percebido até mesmo dentro da própria região.
Lisete destaca que o impacto do projeto vai além da exposição. Ele reorganiza percepções. “Cada município traz sua identidade, sua produção e sua forma de organização. Isso cria uma rede de conhecimento entre eles e também com o público que circula pela feira”, afirma.
Um dos pontos de maior interação do espaço é a presença da “Tetê”, vaca simbólica da Expoterneira, utilizada como ferramenta educativa para aproximar crianças e visitantes da cadeia produtiva do leite. A ação traduz o esforço da extensão rural em transformar conhecimento técnico em experiência acessível.
Mudança no olhar sobre o campo
O que o espaço da Emater propõe não é apenas mostrar o campo — ele reorganiza o olhar sobre ele. Em vez de municípios isolados, surge a noção de rede. Em vez de produção fragmentada, aparece a ideia de território integrado.
Essa mudança de perspectiva se torna ainda mais evidente quando o visitante percorre o espaço e percebe que o rural da região não é homogêneo, mas composto por múltiplas escalas produtivas, culturais e sociais.
A região de Santa Rosa reúne uma forte diversidade geográfica e cultural, com sistemas produtivos que vão da agricultura familiar à agroindustrialização. Ainda assim, parte dessa riqueza permanece pouco conhecida até mesmo entre os próprios municípios. “Existe uma riqueza muito grande de culturas, paisagens e sistemas produtivos. Muitas vezes os próprios municípios desconhecem essa dimensão regional”, observa Lisete.
Pertencimento e integração
Ao longo da feira, o Espaço Institucional da Emater se consolida como uma das principais vitrines da agricultura familiar e da organização comunitária na Fenasoja. Seu papel vai além da divulgação institucional: ele atua como articulador entre conhecimento técnico, políticas públicas e identidade territorial.
O projeto “Conhecendo a Região” sintetiza essa proposta ao transformar o espaço em um ambiente de integração contínua. Ali, o agro deixa de ser apenas produção e passa a ser entendido como rede de relações, pertencimento e construção coletiva de desenvolvimento.
No fim, o que se revela não é apenas uma região mais conhecida — mas uma região que começa a se reconhecer.(Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)