Segunda-feira, 03 de agosto de 2026

Empresas usam WhatsApp para recrutar e contratar jovens

O processo seletivo deve ir até o candidato ou o candidato deve ir ao encontro da vaga? Cada vez mais, os recrutadores procuram formas de fazer as vagas chegarem até os candidatos ideais – no meio do excesso de informação, isso significa, muitas vezes, personalizar o processo cada vez mais.

Há quem esteja usando o WhatsApp como meio de recrutamento, seleção e contratação. Essa afirmação te soa absurda ou inovadora? Perdemos a formalidade ou encontramos novos caminhos? Na edição de hoje, conversamos com especialistas para entender o que se ganha e o que se perde com essas novidades moderninhas.

Tiago Mavichian, CEO da Companhia de Estágios, mal conseguia alcançar os candidatos de que seus clientes precisavam via email. Agora, ele consegue chegar mais próximo das novas gerações via celular e vê os processos seletivos correrem com menos fricções.

Segundo o executivo, a taxa de resposta por email era muito baixa. Com o uso do WhatsApp, o retorno dos candidatos aumentou bastante.

“A lógica que estamos seguindo é estar onde o candidato está – isso também inclui o TikTok, o Instagram e o YouTube, por exemplo”, diz Mavichian.

Como funciona? No caso da Companhia de Estágios, a empresa é contratada por outras companhias para realizar o processo seletivo e a contratação de vagas de estágio e jovem aprendiz – Amazon, Intel e Shopee são alguns exemplos de clientes.

Hoje, as coisas acontecem assim: os interessados se cadastram em QR codes (espalhados em eventos universitários e faculdades) ou pelo site. Com os dados coletados nessas ocasiões, a Companhia filtra e convida perfis interessantes para diferentes seleções.

Uma inteligência artificial proprietária faz o mapeamento de candidatos cruzando o perfil técnico(requisitos objetivos como curso, localização e disponibilidade) e comportamental dos interessados e das vagas.

A partir de então, a convocação, agendamento e resposta (aceite ou recusa) acontecem por WhatsApp – processo que o recrutador acompanha via painel online.

A maioria dos clientes ainda quer contato humano em algum ponto do processo: poucos automatizam todo o funil, ainda que essa possibilidade seja oferecida, diz Mavichian.

A parte boa

As empresas recebem respostas mais rápidas e veem menos chances de sumiço dos candidatos. O canal digital também facilita lidar com um volume alto de candidaturas, comum em programas de estágio ou trainee. Para os candidatos, o WhatsApp pode ser um canal menos intimidador que um email formal ou uma ligação agendada.

A parte ruim

A automação pode tirar momentos de atenção humana na triagem inicial, segundo Jaqueline Garutti, mentora de carreiras. A especialista defende que uma automação bem feita libera o recrutador para etapas que exigem julgamento humano em fases mais decisivas.

Ainda assim, resta garantir que essa atenção também seja direcionada às etapas de contratação da base da pirâmide corporativa. Não vale reduzir o tempo gasto pelo recrutador na seleção das vagas de entrada para que ele volte toda a sua atenção para processos seletivos de cargos altos. A atenção precisa ser dividida.

Dá para confiar?

Mavichian relata que teve problemas nas primeiras tentativas de uso da IA na seleção de candidatos – há queixas nas redes sobre possíveis filtros digitais que descartam pessoas que poderiam ter aderência às vagas anunciadas.

Segundo ele, no entanto, a tecnologia melhorou seu desempenho e se sente confiante em delegar partes do processo ao cérebro eletrônico. Hoje, a IA usa um conjunto de dados interno e organizado, partindo de um algoritmo de triagem já validado por outros sistemas.

A IA faz uma camada de filtragem técnica – isto é, se os interessados cumprem requisitos objetivos da vaga – e faz um ranqueamento a partir de testes comportamentais, diz.

Há quem discorde e prefira a filtragem humana, mesmo nas primeiras fases.

Sem gafes

Não é porque acontece no WhatsApp que um processo seletivo deixa de ser sério.

Para se dar bem, aí vão algumas dicas de Garutti: Tente demorar pouco para responder às mensagens: leve horas, não dias; Evite gírias, abreviações excessivas e figurinhas; Cuidado com a foto e o status: assim como acontece pessoalmente, a imagem é a primeira impressão de alguém sobre você; Avise o recrutador se desistir do processo.

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