Terça-feira, 21 de maio de 2024

Entenda como o Brasil chegou à marca de 2 milhões de casos de dengue

O Brasil já registrou, desde 1º de janeiro, 1.937.651 casos de dengue, sendo 16.494 casos de dengue grave ou com sinais de alerta. O coeficiente de incidência da doença no País, neste momento, é de 954,2 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Há ainda 630 mortes confirmadas por dengue e 1.009 em investigação.

Assim, 2024 já detém o recorde de contágios da doença desde o início da série histórica, em 2000. O recorde anterior ocorreu em 2015, quando foram 1,688 milhão de casos, enquanto 2023 teve o terceiro maior número, com 1,658 milhão.

Em balanço apresentado nesta quarta-feira (20), a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, destacou que os três primeiros meses de 2024 registram mais casos graves de dengue do que o mesmo período de 2023.

“Estamos tendo muito mais casos graves que no ano anterior”, disse, ao lembrar que, até então, na série histórica, 2023 havia sido o ano com maior número de casos graves da doença.

“Temos muito mais pessoas chegando [com quadro] grave aos serviços de saúde. Esse é um importante ponto de alerta para nós”, avaliou Ethel.

O coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alexandre Naime Barbosa, comenta que um dos fatores que explicam a explosão de contaminações é a mudança climática, que tem causado mais calor e mais chuvas.

“É a combinação que o aedes aegypti gosta. Acima de 27 graus Celsius, quando aumenta um grau, praticamente duplica a capacidade de procriação do mosquito e assume uma progressão dos ovos muito grande”, diz.

Contudo, há outros elementos importantes contribuindo para o aumento dos casos. Um deles é a presença mais comum no País, desde o ano passado, dos sorotipos 2, 3 e 4 do vírus.

“Até o meio do ano passado havia basicamente a circulação do sorotipo 1 no país como um todo. Mas desde o fim do ano passado já é predominante em alguns locais o sorotipo 2 e também o 3. O 4 também já está sendo visto em alguns lugares em menor medida”, esclarece Naime.

Esse fator é importante porque uma pessoa que já foi contaminada uma vez pelo sorotipo 1 desenvolveu imunidade somente para o mesmo sorotipo e está vulnerável aos demais que estão em circulação pelo País.

“Ainda tem o agravante de que uma segunda ou terceira infecção são potencialmente mais graves, o que tem colaborado para casos mais graves e óbitos”, observa Naime.

A quantidade de óbitos tem causado preocupação entre os especialistas. Neste ano, somente nos três primeiros meses, já são 630 mortes por dengue confirmadas em todo o Brasil. O número ainda é menor do que os 1.094 óbitos pela doença no ano passado, mas há outras 1.009 mortes já em investigação e que tendem a ser confirmadas ao longo do tempo.

“O problema é que os óbitos em investigação já é quase o dobro dos confirmados e ainda vão se confirmar. Não se pode celebrar um dado que não está concretizado”, critica, projetando que, no fim de 2024, tanto o número de contágios como o de mortes por dengue devem ser o triplo em relação ao ano passado. Ele prevê que o pico dos casos será em abril.

Para Marcelo Otsuka, pediatra e infectologista pediátrico da SBI e da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), existe uma responsabilidade de culpa conjunta da população e das autoridades públicas na explosão da dengue no país.

“A falta de divulgação em relação aos cuidados para reduzir a disseminação do mosquito é um fator importante. A falta de divulgação governamental e a falta de orientação nos últimos anos impactaram no aumento do número de casos”, diz.

“Mas infelizmente isso também tem acontecido porque as pessoas esquecem, deixam de se preocupar e não pensam na população como um todo. Jogam garrafas e outros lixos que levam ao acumulo de água nas ruas, nos terrenos baldios e até mesmo nas casas.”

Na visão de Otsuka, é preciso retomar a comunicação constante sobre prevenção contra dengue nos meios de comunicação e fortalecer as equipes de agentes de saúde que fiscalizam e conscientizam a população nos bairros.

Atualmente, 11 unidades federativas já decretaram situação de emergência em saúde pública por causa da dengue: Acre, Amapá, Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Há ainda 350 decretos municipais, sendo 178 em Minas Gerais.

 

 

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