Sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Entenda como o rombo bilionário nas lojas Americanas ficou escondido e quais podem ser os reflexos na economia brasileira

A descoberta de um rombo contábil de R$ 20 bilhões nos balanços corporativos da Americanas tomou o mercado de surpresa e incredulidade. E ficaria ainda pior: a dívida revisada chega aos R$ 43 bilhões, e a Americanas agora está em recuperação judicial. O que explica o fato desse rombo ter ficado escondido por tanto tempo? Quais podem ser os reflexos para economia brasileira?

O anúncio do rombo foi um desastre e há mais perguntas que respostas ainda.

“Uma marca centenária que todo mundo conhece. Como é que pode ter chegado nisso tão rápido? A relação dos três sócios com os bancos poderias ter sido diferente? Então foi tudo muito desastrado, a comunicação da empresa com os bancos foi muito desastrosa”, questiona uma jornalista especialista em economia.

Para especialistas, o processo de recuperação judicial da Americanas vai ser uma “guerra” dos homens mais ricos do Brasil – do lado da empresa – e os maiores bancos do país, do lado dos credores. “A comunicação da empresa com os bancos foi muito desastrosa”, diz.

“Os casos de recuperação judicial, sobretudo no Brasil […], o normal aqui no Brasil é se arrastar por muitos e muitos anos. E aí o negócio vai perdendo valor, vai perdendo valor”, disse uma jornalista.

Entenda o caso

No dia 11, o CEO da Lojas Americanas, Sérgio Rial, e o CFO, André Covre, renunciaram ao cargo após a descoberta de “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões nos balanços da empresa. A companhia identificou a existência de operações de financiamento de compras, nas quais a varejista é devedora, que não estão adequadamente registradas nas demonstrações financeiras divulgadas no 3° trimestre do ano passado.

Segundo a empresa, ainda não há como precisar os impactos dessa descoberta nos resultados e no balanço patrimonial. A notícia, divulgada por meio de fato relevante, caiu como uma bomba no mercado, e investidores se perguntam se estão diante de um novo “IRB” — ressegurador que descobriu fraudes nos balanços em 2020 e viu suas ações despencarem 90% desde então.

O fundo de private equity 3G Capital, acionista de referência da varejista, pertence aos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Eles também têm uma posição relevante na Ambev (ABEV3).

Perspectivas

Segundo a empresa, o que aconteceu na Americanas é que eles estavam contabilizando uma dívida de uma maneira errada para uma companhia que está no novo mercado. É uma companhia que supostamente tem uma boa governança. Enfim, ela estava adotando uma prática que era antiga que as empresas: compram uma televisão aí de um fornecedor, aí, como elas só vão receber mais tarde quando elas venderem, elas pegam um dinheiro emprestado do banco para pagar esse fornecedor antecipadamente.

“Só que ela estava botando numa conta de despesa com fornecedor, e não como um empréstimo bancário que tem juros. Então essa foi a inconsistência contábil: ela devia dizer que isso era uma dívida, mas ela não ela não contabilizava como uma dívida e sim como uma despesa ali com o seu fornecedor”, explicou a jornalista Mariana Barbosa.

Ela explica que a empresa não tem fábricas e depende de fornecedores. A jornalista acredita ser “muito difícil” que ações da Americanas se recuperem.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Fazer empréstimo para quitar dívida é um bom negócio; saiba como
Risco de quebra, colapso no setor e prejuízos à economia: o que diz a Americanas para pedir recuperação judicial
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play