Sábado, 02 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de maio de 2026
Um comando militar iraniano alertou, neste sábado (2), que é “provável” uma retomada das hostilidades com os Estados Unidos, após o presidente americano, Donald Trump, afirmar estar insatisfeito com a última proposta de Teerã para encerrar o conflito. A declaração foi dada à agência Fars.
As duas partes negociam um cessar-fogo desde 8 de abril, após quase 40 dias de bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
O Paquistão sediou uma primeira rodada de negociações em 11 de abril, mas sem avanços. Não há consenso sobre temas centrais, como o controle do Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano.
Nesta semana, o Irã apresentou uma nova proposta, novamente por meio do Paquistão, que atua como mediador. Os detalhes do texto, no entanto, não foram divulgados.
O presidente americano reagiu rapidamente e descartou a iniciativa.
“Neste momento, não estou satisfeito com o que oferecem”, afirmou Donald Trump a jornalistas na sexta-feira (1º), ao atribuir a estagnação das negociações à “tremenda discórdia” dentro da liderança iraniana.
“Queremos ir lá e simplesmente arrasá-los e acabar com eles para sempre, ou queremos tentar alcançar um acordo? Quero dizer, estas são as opções”, declarou, ao ser questionado sobre os próximos passos.
Também neste sábado (2), Mohamad Jafar Asadi, inspetor-adjunto do comando militar central de Jatam al Anbiya, afirmou que há risco de retomada do conflito.
“É provável que o conflito com os Estados Unidos seja retomado, e os fatos demonstram que os Estados Unidos não respeitam nenhuma promessa, nem acordo”, disse.
Segundo ele, as forças armadas iranianas estão em alerta.
“As forças armadas estão perfeitamente preparadas diante de qualquer possível oportunismo ou ação imprudente por parte dos americanos”, acrescentou.
Pela legislação americana, Donald Trump tinha até sexta-feira (1º) para solicitar autorização do Congresso para a continuidade das operações militares, iniciadas em 28 de fevereiro em conjunto com Israel.
Em vez disso, o presidente enviou uma carta aos líderes do Legislativo informando que as hostilidades contra o Irã haviam “terminado”.
Parlamentares democratas contestaram a versão, destacando que a presença militar dos Estados Unidos na região permanece significativa.
O porta-aviões USS Gerald Ford, considerado o maior do mundo, deixou o Oriente Médio, mas cerca de 20 navios da Marinha americana seguem posicionados na área, incluindo outros dois porta-aviões.
O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e continua gerando impactos na economia global. Nesta semana, o preço do petróleo atingiu o maior nível em quatro anos, com o barril do tipo Brent chegando a 126 dólares.