Domingo, 23 de agosto de 2026

Estados Unidos usam corredor secreto para garantir fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz

O bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz pode não ser tão hermético quanto anunciado. Segundo o site americano Axios, os Estados Unidos organizam, há várias semanas, uma operação militar secreta para permitir a passagem de 15 a 20 petroleiros por noite pelo estratégico corredor marítimo.

A operação permitiria a saída de aproximadamente 10 milhões de barris de petróleo por dia, quase metade do volume que circulava pelo estreito antes da guerra.

A movimentação ocorreria principalmente durante a noite. De acordo com dois funcionários americanos citados pelo Axios, os navios utilizariam um corredor de navegação junto à costa de Omã, afastado das principais áreas monitoradas pelas forças iranianas.

A rota teria se tornado viável após a campanha militar americana contra os sistemas de radar iranianos. Com parte de sua capacidade de vigilância destruída, Teerã teria perdido condições de monitorar efetivamente aquele trecho do estreito.

Para proteger os petroleiros, a Marinha americana faria a escolta dos navios, com apoio de aviões e drones. Trata-se, segundo o artigo, de uma operação particularmente sensível, conduzida em segredo há várias semanas.

Dados da Kpler

A informação sobre a operação secreta contrasta com os dados de monitoramento marítimo da Kpler, empresa que acompanha em tempo real os fluxos mundiais de petróleo e outras commodities.

Segundo dados preliminares divulgados na sexta-feira, apenas sete navios atravessaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira, 20 de agosto, metade do número registrado no dia anterior. Quatro embarcações entraram na via navegável e três saíram.

Nenhum superpetroleiro ou metaneiro, usado para transportar gás natural liquefeito, estava entre esses navios, segundo a Kpler. Um grande metaneiro, entretanto, teria transitado pelo estreito transportando propano e butano.

Os números reforçam a percepção de que os armadores continuam evitando uma das principais rotas marítimas do mundo diante dos riscos associados ao conflito.

Furo ao bloqueio

O Irã tem perdido o controle que exerce sobre a rota. Apesar dos riscos, embarcações ignoraram exigências iranianas e atravessaram o Estreito de Ormuz com a promessa de proteção das forças americanas.

A maioria das embarcações tem usado a rota de Omã – um canal de navegação autorizado pela ONU ao qual o Irã se opõe veementemente –, de acordo com a empresa de monitoramento Kpler.

Especialistas do setor relataram à CNN que Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos fretaram navios petroleiros de altíssima capacidade para deixar o Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. Em seguida, esse petróleo é transferido para navios de clientes fora da zona de perigo, no Golfo de Omã.

Para escapar dos ataques iranianos, as embarcações desligaram seus transponders, muitas vezes por semanas seguidas.

Mas os Estados Unidos, com uma presença militar expressiva na água, mantêm vigilância sobre todas as embarcações que passam pelo local e relataram volumes de transporte de petróleo significativamente maiores do que as estimativas tradicionais sugeriam.

Antes do início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, o Estreito de Ormuz era responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente.

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