Quinta-feira, 25 de abril de 2024

Falência das lojas Americanas seria o pior cenário para os acionistas minoritários

Investidores minoritários das lojas Americanas já amargam prejuízos desde que o rombo nas contas da varejista foi anunciado em 11 de janeiro. Desde então, os papéis da empresa despencaram, saindo de R$ 12 par a R$1, e, por fim, foram retirados do Ibovespa e de outros 13 índices da B3 na última sexta-feira.

O processo para quem tem ações da empresa deve se estender durante a recuperação judicial da companhia que foi aceita pela Justiça nesta semana. No pior cenário, a Americanas pode falir e os papéis seriam retirados da Bolsa e dos portfólios de investimento sem possibilidade de retorno.

“No caso de falência, o investidor perde o investimento que realizou anteriormente”, disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. “Ele até poderia entrar na Justiça, se juntar com outros investidores, alegar que os executivos tiveram má-fé, mas a chance é baixa e o processo é lento.”

Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, afirmou que “se uma empresa declarar falência, o acionista perde tudo e entra na massa falida, na qual ele é o último cara a receber”. “Mas não acho que a Americanas vá pedir falência.”

Tiago Mackey, advogado e sócio no dcom Advogados, explicou que o procedimento para um pedido de indenização não tem relação com a Americanas estar em recuperação judicial ou em falência.

“A grande diferença é que, estando em recuperação judicial, a empresa está operacional. Caso se reconheça o direito desses investidores serem indenizados, eles podem pedir o ressarcimento disso em relação à companhia, aos administradores, ao conselho fiscal e de administração, e eventualmente até para a auditoria independente”, afirmou. “No caso de falência, a chance de receber esse crédito contra a companhia é inexpressiva.”

No entanto, Filipe Denki, sócio do Lara Martins Advogados e diretor da Comissão de Recuperação de Empresas e Falência do Conselho Federal da OAB, disse acreditar que, no caso da Americanas, haverá um esforço incomum de acionistas e controladores para levar o processo adiante e evitar a falência da varejista.

“Essa é a quarta maior recuperação judicial do País e que poderá ficar marcada não apenas pelo valor do passivo, mas como uma das maiores fraudes do Brasil”, afirmou.

Paralelo

Já Mackey traçou um paralelo com o episódio da Oi, cuja recuperação judicial foi encerrada no final de 2022, depois de 6 anos. “Quando a Oi entrou em recuperação judicial, ninguém acreditava que ela iria sair porque o quadro era extremamente complicado e que se assemelha muito ao da Americanas”, pontua. Na época, a representatividade da companhia em seu setor pesou para que houvesse um esforço para evitar a falência.

Embora a falência não seja o cenário base dos especialistas, não seria uma novidade haver a retirada de ações da Bolsa brasileira. Papéis de algumas companhias, como a MMX, de Eike Batista, a empresa do agronegócio Agrenco e a rede de farmácias Brasil Pharma, foram retirados B3 por esse motivo. “Elas deixam de ser listadas tornando-se ações de empresa de capital fechado, perdendo as vantagens de livre negociação em Bolsa”, disse Beto Saadia, economista e sócio da BRA BS.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Posições-chave em ministérios ligados ao agronegócio seguem sem confirmação de nomes de titulares
Ministro da Justiça se reúne com secretários de Segurança Pública e defende mudança na lei de armas
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play