Sábado, 18 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de julho de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou neste sábado (18) que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pratica advocacia administrativa e que a esposa do magistrado recebe dinheiro “para fingir que está advogando”. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
As declarações foram feitas em evento do PL em Vitória (ES), um dia após Moraes ampliar as restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado — o magistrado proibiu o ex-mandatário de fazer contatos políticos até o fim das eleições de 2026 e de divulgar novos manifestos político-eleitorais, além de manter a suspensão de visitas de Flávio por 90 dias.
“Por que que a esposa dele [Moraes] recebe R$ 129 milhões para fingir que está advogando? Ele faz advocacia administrativa e não responde por isso”, disse o pré-candidato em sua fala em Vitória.
O Código Penal define advocacia administrativa como o crime de “patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário”. A pena estabelecida é de detenção de um mês a um ano, além de multa.
O escritório Barci de Moraes, que tem Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, como sócia, disse que não comentará a fala. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a banca tinha contrato com o Banco Master que previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos, cerca de R$ 3,6 milhões por mês.
Dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado do Senado e obtidos pela Folha indicam que a instituição financeira declarou pagamentos de R$ 80,2 milhões ao escritório em 2024 e 2025. Foram R$ 40,1 milhões em cada ano.
Em março, o escritório afirmou ter prestado serviços de consultoria e atuação jurídica ao banco, com 94 reuniões de trabalho e produzidos 36 pareceres e opiniões legais. Segundo o jornal O Globo, Moraes trocou mensagens com o então dono do Master, Daniel Vorcaro, ao longo do dia em que o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro de 2025.
No discurso, Flávio não mencionou o próprio elo com Vorcaro. O ex-banqueiro pagou R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse”, que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um áudio de setembro de 2025 mostra o senador do PL cobrando mais recursos e o chamando de “irmão”.
Posteriormente, Flávio admitiu também ter encontrado Vorcaro já depois da primeira prisão do ex-banqueiro —segundo o senador, para romper a parceria.
Na quarta-feira (15), o portal ICL Notícias publicou fotografia que mostra Flávio ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário e apontado pela Polícia Federal como chefe da milícia privada de Vorcaro. O senador disse não conhecer Sicário e questionou a autenticidade da foto. Sua assessoria afirmou que o parlamentar, por ser uma figura pública, atende com frequência a pedidos de fotos de pessoas desconhecidas.
“Parece o demônio”
Na sequência do discurso deste sábado, Flávio voltou a atacar diretamente Moraes, a quem havia chamado de alguém que “parece sem alma”, e disse que ele “parece o demônio usando uma pessoa para fazer mal para os outros”, além de acusá-lo de “rasgar a Constituição”.
“Depois do que aconteceu ontem, eu já perdi as contas de quantas facadas o presidente Bolsonaro já levou. E ontem foi mais uma. O Alexandre de Moraes parece sem alma, parece o demônio usando uma pessoa para fazer mal para os outros, rasgando Lei, rasgando a Constituição”, afirmou.
Ele disse ainda que o ministro deve responder pelos atos que pratica. “O mal que ele está fazendo a tanta gente, ele tem que responder aqui. Não tem ninguém que está acima da lei, não tem ninguém que está acima da Constituição. Por que que ele acha que pode? (…) Por que ele está acima da lei? Por que nenhum inquérito é aberto? Por que nenhuma investigação começa? Porque o Brasil hoje virou o país da impunidade”, disse.
Flávio também criticou o presidente Lula (PT) e afirmou que a marca do partido é “corrupção, incompetência e agora agregou a perseguição”.
Na área de segurança pública, o senador defendeu o endurecimento das punições para criminosos e o uso de tecnologia para monitorar agressores e detectar quando eles se aproximarem das vítimas. “Esse pedaço de papel que é a Lei Maria da Penha não é o que vai defender as mulheres”, declarou.