Terça-feira, 18 de junho de 2024

Gaza: Médicos relatam estarem fazendo cirurgias sem anestesia

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) emitiu um alerta sobre a situação médica na Faixa de Gaza, onde algumas cirurgias estão sendo realizadas sem anestesia completa devido à escassez de produtos anestésicos. Essa crise tem afetado principalmente crianças e mulheres, ampliando ainda mais o sofrimento em uma região sob intensos conflitos.

De acordo com Léo Cans, chefe da missão da MSF nos territórios palestinos, a falta de narcóticos, sedativos e opióides tem levado a situações desesperadoras. Cirurgias são realizadas com apenas metade da dose de sedativo necessária, o que, segundo ele, é uma situação terrível. Algumas operações são conduzidas sem anestesia adequada, expondo os pacientes a um sofrimento extremo.

“Faltam narcóticos, faltam sedativos, faltam opióides. Fazemos muitas operações com meia dose de sedativo, o que é terrível”, disse.

Cans compartilhou relatos chocantes de casos recentes, como o de uma criança de 10 anos que precisou amputar parte do pé esquerdo sob semi-sedação, no corredor de um hospital lotado, com a presença de sua mãe e irmã. Outro caso envolve uma criança de 12 anos com queimaduras em 60% do corpo, cujos curativos são trocados com o auxílio de paracetamol para aliviar a dor.

“Recebemos crianças demais e mulheres, o que nos leva a dizer que os bombardeios são indiscriminados”, contou.

Apagão

A situação se agravou com o apagão total das comunicações na Faixa de Gaza, dificultando a coordenação das atividades médicas e humanitárias. Cans enfatizou que é quase impossível para as equipes médicas coordenarem suas ações em meio a esse cenário caótico.

“Enquanto os bombardeamentos continuarem com a intensidade atual, qualquer esforço para aumentar a ajuda médica será inevitavelmente insuficiente”, destacou.

Em um comunicado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que civis, pacientes e trabalhadores de saúde na Faixa de Gaza “passaram a noite na escuridão e com medo”. Durante uma noite de “intenso bombardeio e incursão por terra” das forças de Israel, a população civil “tem sido sujeita a um blecaute total de comunicação e elétrico”.

Os hospitais de Gaza já operam com capacidade máxima, “graças aos feridos em semanas de bombardeio incessante”, e não conseguem absorver a alta “dramática” no número de pacientes, enquanto abrigam milhares de civis, detalha o braço da Organização das Nações Unidas na saúde.

Falta suprimentos

A Médicos Sem Fronteiras pede por um cessar-fogo imediato para evitar mais mortes e permitir a entrada de suprimentos humanitários. O recente aumento nos bombardeios por parte das forças israelenses têm devastado o norte de Gaza, tornando praticamente impossível para os civis encontrarem abrigo.

Os hospitais na região estão com falta de suprimentos médicos. O bloqueio das comunicações tornou ainda mais difícil para as equipes médicas prestarem assistência a pessoas sob os escombros, mulheres grávidas e idosos em necessidade urgente.

A MSF está pronta para aumentar sua capacidade de ajuda, mas os bombardeios intensos tornam qualquer esforço insuficiente. “Estamos prontos para aumentar a nossa capacidade de ajuda em Gaza. Temos equipes de prontidão prontas para enviar material médico e entrar em Gaza para apoiar a resposta médica de emergência, assim que a situação o permitir”.

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