Terça-feira, 28 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de julho de 2026
O chute cruzado do lateral-esquerdo Sidny Cabral, de Cabo Verde, que venceu o goleiro argentino Emiliano Martínez, foi eleito o gol mais bonito da Copa do Mundo de 2026, a Fifa anunciou nessa segunda-feira (27).
O golaço de Sidny Cabral superou outros 11 candidatos na eleição online promovida pela Fifa. A lista de concorrentes contou com estrelas como Lionel Messi, Kylian Mbappé e Erling Haaland.
“É uma honra enorme e o time de reconhecimento com o qual todo jogador sonha. Estou muito agradecido a todos que votaram no meu gol como melhor da competição. O desafio, agora, é continuar fazendo gols como esse e, acima de tudo, ajudar meu time e minha seleção a vencer partidas. Receber este prêmio é uma honra especial para mim”, afirmou ao site da Fifa o jogador de 23 anos, que acaba de trocar o Benfica, de Portugal, pelo Trabzonspor, da Turquia.
Uma das surpresas da Copa, a seleção de Cabo Verde chegou à segunda fase e fez um jogo emocionante contra a Argentina, sendo eliminada apenas na prorrogação, por 3 a 2.
Messi abriu o placar no primeiro tempo, e Cabo Verde empatou com Deroy Duarte na segunda etapa. Lisandro Martínez fez o segundo gol argentino, já na prorrogação, e aos 13 minutos Sidny Duarte marcou o golaço escolhido como o mais bonito da Copa. Um gol contra do zagueiro Diney, no segundo tempo da prorrogação, garantiu a vitória da Argentina.
Aos 23 anos e com todo o seu talento, Sidny tem todo o tempo do mundo pela frente para brilhar por Cabo Verde. Ainda mais quando sabemos que, por maior que tenha sido o grau de dificuldade em seu arremate contra a Argentina, não foi algo inédito em sua carreira.
“Foi a segunda vez que marquei um gol daquele. Curiosamente, minutos antes já tinha tido uma oportunidade muito semelhante de bola parada, numa zona parecida do campo. Não foi algo completamente novo para mim. Mas marcar um gol daquela qualidade num palco como um campeonato do mundo é especial. É um momento que fica para sempre na carreira.”
Nascido em Roterdã, na Holanda, o jogador ganhou destaque também por sua comemoração efusiva. Além do abraço dos companheiros, fez questão de buscar um contato com a namorada, que estava presente no estádio em Miami.
“Quando marquei, só queria correr e celebrar. Queria ir até as arquibancadas para estar perto dos meus e celebrar com a minha namorada, que sempre esteve ao meu lado, sobretudo nos momentos mais difíceis. Foi um momento indescritível. Parecia que tudo acontecia muito depressa. Ainda hoje custo a acreditar”, lembrou.
Cabo Verde foi, indiscutivelmente, uma das grandes atrações da Copa de 2026. Uma das quatro seleções estreantes desta edição, conseguiu avançar à segunda fase mesmo num grupo com duas campeãs mundiais, Espanha e Uruguai, além da Arábia Saudita. Após passar invicta, vendeu muito cara a classificação para a Argentina.
“Estou muito feliz com a nossa participação. Mostramos que Cabo Verde tem muito”, destacou.
“O mais gratificante é perceber que, depois do Mundial, muito mais pessoas passaram a conhecer o nosso país Sinto que ficou um enorme carinho por Cabo Verde, pelo nosso povo e nossos jogadores. Esse respeito e reconhecimento não se compram.”
Embora não tenha nascido em Cabo Verde, o jogador tem relação profunda com o país em razão da nacionalidade dos pais. Por isso, ouvir o hino do país e sentir a conexão dos torcedores com a Copa do Mundo sempre mexeu com ele.
“No início era difícil acreditar que estava ali. Quando o jogo começa, toda a concentração está dentro das quatro linhas e só pensas em vencer. Mas representar o teu povo, tua família, teus amigos e recordar todo o esforço que tanta gente fez para que estivéssemos naquele palco… é impossível descrever por palavras”, contou.
“Meus pais nasceram em Cabo Verde e emigraram para a Holanda quando tinham 18 anos. Eu nasci lá e foi aí que iniciei a minha carreira, mas sempre mantive uma ligação muito forte ao país. Sempre que posso, volto a Cabo Verde. Adoro o país e tenho muita família lá. Aliás, depois do Mundial aproveitei alguns dias de férias para matar saudades da família, rever amigos e visitar lugares que significam muito para mim.”
Cabo Verde surpreendeu o mundo inteiro ao segurar um empate sem gols logo na estreia contra a Espanha. O país europeu, que se tornaria bicampeão da Copa 40 dias depois, não conseguiu superar o sistema defensivo armado por Bubista, as defesas de Vozinha e todo o ímpeto dos Tubarões Azuis.
“Fomos uma equipe muito organizada, unida e disciplinada. Defendemos muito bem como coletivo. Defenderam os que começaram o jogo, os que entraram depois, os defesas, os médios e os avançados. Cada um sabia exatamente qual era a sua missão”, disse Sidny.