Sábado, 05 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de setembro de 2026
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva mudou o critério da fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para anunciar que zerou a espera pelo benefício, mesmo com 235 mil pedidos sem resposta há mais de 45 dias – recorte que o próprio Executivo vinha adotando para classificar um requerimento como atrasado.
Em evento com a presença do presidente no Palácio do Planalto, o ministro Wolney Queiroz (Previdência Social) disse que o número de pedidos pendentes caiu para 1,252 milhão em 31 de agosto, enquanto a quantidade de novos requerimentos mensais alcançou 1,394 milhão no mês passado.
Como o estoque de pedidos ficou abaixo do fluxo de novos requerimentos, o entendimento do governo é que isso é suficiente para dizer que a fila foi zerada. No próprio documento apresentado no evento, o governo cravou: “alcançamos o atendimento sem fila”.
“Hoje, tem menos gente aguardando resposta do que os pedidos que recebemos em agosto. Estamos analisando 1,2 milhão de processos, e é importante detalhar um pouco esse número: 640 mil pedidos são super-recentes, 378 mil aguardam que o cidadão apresente algum documento que falta, e 235 mil aguardam resposta há mais de 45 dias”, disse a presidente do INSS, Ana Cristina Silveira.
Ela disse que os pedidos que aguardam há mais de 45 dias caíram 87% em relação a janeiro (quando estavam em 1,9 milhão) e que uma parte deles corresponde a “casos de maior complexidade, que exigem análise cuidadosa e que sempre existirão em uma instituição com a dimensão do INSS”. Segundo Silveira, o órgão criou grupos de trabalho específicos para tais casos.
“Mesmo assim, podemos afirmar categoricamente que não há fila no atendimento inicial, pois o número de pedidos em análise hoje é inferior aos novos processos que entraram em agosto”, acrescentou.
O ministro da Previdência negou houve mudança de critério da fila. Ele afirmou que os 235 mil pedidos são um “resíduo que não tem impacto no número gigantesco” dos pedidos.
“Não mudamos critério nenhum. Nós estamos apreciando, analisando pedidos como nunca analisamos, e estamos concedendo benefícios como nunca concedemos. São números reais. Então não tem truque, não tem pegadinha”, disse.
Em nota enviada a Folha de S. Paulo, o Ministério da Previdência Social enviou uma nota dizendo que não alterou critérios para dizer que zerou a fila do INSS.
“O conceito de atendimento sem fila apresentado pelo governo considera a capacidade do instituto de analisar mensalmente mais processos do que o volume de novos requerimentos recebidos. Em julho, por exemplo, deram entrada 1,435 milhão de pedidos, e o INSS apresentou 1,658 milhão de respostas. O estoque total, que chegou a 3,1 milhões de processos, caiu para 1,25 milhão e hoje está dentro da capacidade mensal de análise do órgão”, diz a nota.
Segundo a pasta, os 235 mil requerimentos que aguardam há mais de 45 dias foram informados pelo próprio governo e “continuam sendo tratados prioritariamente, inclusive por equipes dedicadas aos casos de maior complexidade”. (Com informações da Folha de S. Paulo)