Quinta-feira, 09 de julho de 2026

Governo Trump reage à decisão do Brasil que permite retorno de suposto espião à Rússia

O Departamento de Estado dos Estados Unidos se disse “profundamente preocupado” com a decisão do governo brasileiro de expulsar do Brasil Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado como espião russo pela Polícia Federal (PF) e o Federal Bureau of Investigation (FBI). O órgão chamou atenção para o “precedente” criado com o caso e defendeu a responsabilização daqueles que “ameaçam nossa segurança coletiva”.

“Essa decisão mina nosso compromisso compartilhado de combater a interferência estrangeira e proteger a integridade de nossas instituições democráticas”, comentou o Departamento de Estado do governo Donald Trump, em tradução livre.

Conforme portaria do Ministério da Justiça, Cherkasov será expulso após o final da pena de 15 anos de prisão que ele cumpre no País ou após eventual liberação pelo Judiciário. O russo ainda será impedido de entrar em território brasileiro por 30 anos, contados a partir da execução da expulsão.

Sergey viveu no Brasil usando a identidade falsa de Victor Müller Ferreira, apresentada como a de um brasileiro nascido no Rio que teria vivido na Argentina. Ele foi pego ao chegar a Amsterdã, em abril de 2022, para iniciar um trabalho e foi deportado ao Brasil. Só então as autoridades descobriram que ele era um agente de inteligência da Rússia.

Após análise do material apreendido com ele, descobriu-se que Sergey possuía uma rede de apoio no Brasil que fazia, inclusive, depósitos de valores mensais em sua conta de forma fracionada e em espécie, visando à sua não identificação. Ele se passou por estudante no país, fez cursos no exterior e chegou a fazer aulas de forró como parte do disfarce.

Transações financeiras também chamaram a atenção dos investigadores. Em depoimento a agentes do FBI, a polícia federal americana, ele contou que pagou um curso na Irlanda com “lucro auferido com a compra e venda de bitcoins” e que, sem visto de trabalho, usou suas economias para fazer uma pós-graduação nos Estados Unidos — que custou entre US$ 80 mil e US$ 100 mil.

Segundo a apuração do caso, enquanto estava no exterior, o russo recebeu depósitos em espécie em uma agência bancária no Rio comprou automóveis e movimentou “altos valores” em corretoras de criptomoedas.

Além da atuação do governo russo para que o espião retornasse ao país, o caso envolve também o desejo do governo americano de que ele não retorne à Rússia, justamente por causa das alegações do FBI de que ele coletou informações sobre os EUA e repassou ao Kremlin. Ainda em 2022, quando foi preso, o episódio foi tratado com discrição pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro para evitar conflitos com a Rússia, fornecedora estratégica de fertilizantes para o setor agrícola.

O caso seguiu os trâmites no STF e no governo nos últimos anos. A partir do despacho mais recente do Ministério da Justiça, a defesa de Sergey deve pedir novamente à Corte que ele vá para a Rússia. Se esse for o caminho, o desfecho pode desagradar à Casa Branca e se tornar mais um ponto de atrito entre Brasil e EUA. (Com informações do jornal O Globo)

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