Quinta-feira, 09 de julho de 2026

Eduardo Condorelli: bioenergia é o “unicórnio dourado” do futuro do agro

 

O seminário Campo de Ideias, realizado no Rio Grande do Sul, trouxe uma reflexão ampla sobre o papel da agricultura e da pecuária na transformação social e econômica do Estado. Em entrevista, o presidente do Sistema Farsul, Eduardo Condorelli, destacou que o objetivo central do evento é “permitir uma grande reflexão sobre o futuro da nossa sociedade, naquilo em que o Rio Grande do Sul, por sua vocação nacional, pode se valer da agricultura e da pecuária para ajudar a transformar todo o esforço do campo em oportunidades e qualidade de vida para os 11 milhões de gaúchos”.

Desafios globais e responsabilidades locais

Condorelli ressaltou que o seminário busca situar o Rio Grande do Sul no cenário mundial, discutindo temas como segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e o papel do Brasil na estabilidade climática. Segundo ele, o reconhecimento internacional da produção gaúcha vem acompanhado de uma responsabilidade maior: “não apenas alimentar milhões de pessoas no planeta, mas também contribuir para a estabilidade climática”.

Bioenergia: o “unicórnio dourado” do futuro

Um dos pontos mais enfáticos da fala foi a defesa da bioenergia como oportunidade estratégica para o Estado. Condorelli descreveu o setor como um “cavalo encilhado, quase um unicórnio dourado”, capaz de gerar renda e qualidade de vida em escala comparável — ou até superior — à produção de alimentos. O Rio Grande do Sul já é referência em biodiesel e avança no etanol, mas, segundo ele, falta compreender como transformar esse potencial em ganhos concretos para a população.

Exportação e novos mercados

Outro desafio apontado é a necessidade de conquistar mercados internacionais. Condorelli lembrou que a demanda interna, limitada pela renda média dos brasileiros, não será suficiente para absorver toda a capacidade produtiva do país. Ele citou a pecuária leiteira como exemplo de cadeia que precisa romper barreiras para exportar, destacando que o seminário busca diretrizes para ampliar a presença gaúcha no comércio global.

Resiliência diante das mudanças climáticas

Ao abordar os impactos do El Niño e das enchentes de 2024, Condorelli enfatizou a urgência de criar mecanismos de resiliência para a agricultura. Ele destacou que o aumento da produtividade por hectare já contribui para conservar milhões de hectares de ativos ambientais, mas alertou que o Estado não pode se dar ao luxo de repetir perdas como as registradas em anos recentes. “O primeiro passo para ganhar é parar de perder”, afirmou, defendendo políticas técnicas e financeiras que garantam produção mínima mesmo em cenários adversos.

Em síntese, a entrevista de Eduardo Condorelli reforça que o futuro do Rio Grande do Sul passa por três eixos:

  • Bioenergia como motor de desenvolvimento
  • Expansão para mercados internacionais
  • Resiliência climática e tecnológica na produção rural

Essa visão posiciona o Estado não apenas como produtor de alimentos, mas como protagonista na transição energética e na sustentabilidade global. (Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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