Quinta-feira, 09 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de julho de 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou as projeções de crescimento para as economias do Brasil e da China, mas reduziu a estimativa para a expansão da economia global em 2026. A revisão faz parte da atualização do relatório Perspectiva Econômica Global (World Economic Outlook – WEO), divulgada nesta semana, que aponta um cenário internacional mais desafiador em razão da guerra no Oriente Médio, da fragmentação do comércio internacional e das incertezas relacionadas aos mercados financeiros e ao avanço da inteligência artificial.
Para o Brasil, o FMI passou a projetar crescimento de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ante os 1,9% estimados em abril. A previsão para 2027 também foi revisada para cima, de 2% para 2,2%, embora o organismo avalie que haverá desaceleração da atividade econômica no próximo ano em relação ao desempenho esperado para 2026.
As novas projeções colocam o FMI entre as instituições mais otimistas em relação à economia brasileira. A estimativa supera as previsões mais recentes do Ministério da Fazenda, que projeta crescimento de 2,3%, e do Banco Central, cuja expectativa é de expansão de 2% neste ano. A melhora reflete a resiliência da atividade econômica, apesar do ambiente internacional marcado por juros elevados em diversas economias e pelas tensões geopolíticas.
A China também teve suas perspectivas revisadas positivamente. O FMI agora prevê crescimento de 4,6% em 2026, acima dos 4,4% projetados anteriormente. Para 2027, a estimativa passou de 4% para 4,1%, impulsionada pela expectativa de maior dinamismo do setor de tecnologia e por medidas de estímulo adotadas pelo governo chinês.
Em sentido contrário, a previsão para a economia mundial foi reduzida de 3,1% para 3% neste ano. Para 2027, o FMI estima expansão de 3,4%, ainda abaixo da média observada em 2024 e 2025. Segundo o organismo, o conflito no Oriente Médio continua sendo um dos principais fatores de risco para a economia global, sobretudo por seus efeitos sobre os preços da energia e as cadeias internacionais de abastecimento.
O Fundo alertou que os preços da energia permanecem cerca de 25% acima do nível registrado antes do início da guerra e que um eventual agravamento do conflito poderá comprometer ainda mais o crescimento mundial. A instituição também destacou que países importadores de commodities energéticas tendem a ser mais prejudicados, enquanto exportadores de petróleo e economias fortemente integradas à cadeia global de tecnologia podem apresentar desempenho relativamente melhor.
Entre as economias avançadas, os Estados Unidos tiveram a projeção mantida em 2,3% para este ano. Já a zona do euro sofreu revisão negativa, passando de 1,1% para 0,9%, refletindo o impacto da desaceleração industrial e da menor demanda externa. A Índia, por sua vez, continua como a economia de maior crescimento entre os grandes países, embora tenha registrado uma pequena revisão para baixo, de 6,5% para 6,4% em 2026.