Segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ibovespa supera os 198 mil pontos pela primeira vez na história

A notícia de que o governo norte-americano chefiado por Donald Trump e “as pessoas certas” em Teerã estão em diálogo para reestabelecer a negociação de paz no Irã e região fez as bolsas globais inverterem de direção na tarde desta segunda-feira (13). Ibovespa e bolsas de Nova York fecharam em alta, ao mesmo tempo que o dólar caiu frente tanto ao real quanto às moedas fortes.

O encerramento das tratativas sem um acordo entre Estados Unidos e Irã e a promessa do governo americano de impor um bloqueio ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo, criaram um clima de aversão ao risco global. Tanto que o preço do barril de petróleo voltou ao patamar próximo dos US$ 100.

Quem pensava que o dia seria de paz e tranquilidade após os Estados Unidos e Irã chegarem a um acordo na semana passada, se enganou. Sem um consenso nas negociações, o dia começa com novas incertezas. Os EUA, inclusive, afirmaram que irão bloquear o tráfego marinho que entra e sai dos portos do Irã. Assim, como era de se esperar, os preços do petróleo dispararam. Por um lado, a alta beneficia diretamente as ações da Petrobras e de outras petroleiras, que possuem peso relevante no índice e ajudam a amortecer quedas mais bruscas.

As ações ordinárias da estatal (PETR3) avançaram 1,61%, a R$ 54,87; enquanto as preferenciais (PETR4) subiram 1,188%, a R$ 49,61. Por outro, o aumento do custo da energia e a incerteza global impulsionam o dólar, que opera com pressão de alta frente ao real, e elevam as projeções de inflação para 2026, gerando nervosismo na curva de juros futuros e afetando setores sensíveis ao crédito e ao consumo interno.

Além disso, o mercado hoje digere as novas projeções do Relatório Focus, que nesta manhã apontaram uma deterioração nas expectativas do IPCA, agora acima do teto da meta estabelecida pelo CMN.

A combinação de choque nas commodities devido à guerra e uma inflação persistente coloca o BC em uma posição delicada, elevando as apostas de que a Selic precisará permanecer em patamares restritivos por mais tempo.
Dados do Termômetro do Copom, compilado pelo Valor Investe a partir das negociações de opções de Copom na B3, mostram que o mercado espera um outro corte de 0,25 ponto percentual na reunião que acontecerá no dia 29 de abril (68% de chance).

“Para a política monetária, temos avaliado que as condições internacionais têm sido mais relevantes do que a própria conjuntura doméstica, que em grande medida está apenas refletindo os efeitos do conflito internacional, de maneira que uma eventual mitigação da guerra deve trazer perspectivas de aceleração nos cortes dos juros futuros, como visto na semana passada”, avalia Étore Sanchez, da Ativa Investimentos.

Entre as maiores quedas estão a Copasa (CSMG3), com recuo de 3,93%, e Usiminas (USIM5), que cede 3,15%. Já Braskem (BRKM5) e Azzas 2154 (AZZA3) lideraram os ganhos do Ibovespa, com alta de 7,27% e 5,05%, respectivamente.

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