Segunda-feira, 03 de agosto de 2026

Irã contraria Donald Trump e nega que tenha pedido aos Estados Unidos o cancelamento de novos ataques

A agência de notícias iraniana Mehr informou nesse domingo (2) que “não passa de mais uma mentira” a alegação do presidente norte-americano Donald Trump sobre um suposto pedido das autoridades de Teerã para que os Estados Unidos cessassem novos ataques. Disse, ainda, que as Forças Armadas do país persa estão “em alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade”.

Na noite de sábado, Trump afirmou ter suspendido novas ofensivas na região, “com poder militar inédito desde a 2ª Guerra Mundial”, a pedido do próprio Irã e de negociadores do Oriente Médio por conta de um suposto avanço nas negociações de paz na guerra contra o Irã, que já dura cinco meses. Ainda conforme Trump, Israel atendeu à decisão de Washington:

“Os Estados Unidos estão mobilizados e prontos para agir contra o Irã com um poder militar não vistos desde a 2ª Guerra Mundial. Apesar disso, fomos solicitados pelo Irã e por outros países do Oriente Médio a adiar qualquer ataque, uma vez que os termos de um acordo teriam sido definidos. Isso incluiria a abertura imediata, completa e total do Estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear iraniana. Com base nesse pedido, concordei, em cancelar o ataque mediante à possibilidade de firmar rapidamente um acordo”.

Norte-americanos e israelenses estavam planejando amplos ataques aéreos contra a rede energética do Irã durante este final de semana, de acordo com os jornais norte-americanos “CBS News” e “Wall Street Journal”, citando fontes militares não reveladas.

Essa ofensiva à infraestrutura vital iraniana teria dimensões sem precedentes no atual conflito e ampliaria os combates, já que Teerã avisou que retaliaria com ataques contra o mesmo tipo de estruturas em países do Oriente Médio.

Risco de esgotamento

Em paralelo, altas autoridades do Pentágono já alertaram o governo dos Estados Unidos para um iminente déficit de forças navais para manter a proteção a Israel no Oriente Médio. Um general teria inclusive informado que, sem o reforço de ao menos um navio adicional, será forçado a priorizar a defesa do território norte-americano em detrimento da proteção ao país judeu.

A ideia é de que os confrontos contínuos com o Irã (já são cinco meses) têm resultado em sérias limitações ao Exército americano, sobretudo no que se refere à Marinha, que também executa o bloqueio aos portos iranianos após o fechamento do Estreito de Ormuz. A intensidade das operações, com ataques praticamente diários, teria esgotado os estoques de armas defensivas essenciais.

Embora existam navios contratorpedeiros para essas missões em uma base na Espanha, os Estados Unidos enfrentam problemas na manutenção dessas embarcações. A missão no Mediterrâneo exige um equilíbrio delicado do Comando Europeu, que precisa dividir atenção e equipamentos entre Israel e o monitoramento estratégico da Rússia em relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Uma avaliação do Pentágono, divulgada em maio, mostrou que as forças norte-americanas arcaram com a maior parte da defesa de Israel contra mísseis balísticos iranianos.

A crescente pressão militar coincide com o desgaste político interno do governo do presidente Donald Trump. Isso porque a guerra contra o país persa tem enfrentado desaprovação pública e frustração no Congresso dos Estados Unidos, inclusive por fatores como a falta de uma estratégia clara de encerramento. (com informações do portal G1)

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