Terça-feira, 23 de junho de 2026

Jaques Wagner resiste, mas Lula deve recomendar que ele deixe a liderança do governo no Senado

A permanência de Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado entrou no centro das discussões políticas em Brasília. Embora o senador tenha afirmado a aliados que não pretende deixar imediatamente o cargo, interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá recomendar seu afastamento em reunião prevista para esta quarta-feira (24).

Segundo a Folha de S.Paulo, Wagner tem reiterado que somente abrirá mão da liderança caso receba um pedido direto de Lula. A expectativa dentro do governo é que o presidente faça essa solicitação caso o senador não tome a iniciativa antes do encontro.

Pressão

O debate sobre a permanência de Wagner ganhou intensidade após a operação da Polícia Federal (PF) relacionada às investigações envolvendo o Banco Master. Nos bastidores, integrantes do governo consideram que uma mudança na liderança ajudaria a proteger o presidente Lula e a reduzir os impactos políticos da crise.

Auxiliares do Planalto argumentam que a continuidade de Wagner no posto mantém os holofotes voltados para o caso e dificulta tanto sua defesa quanto os esforços do governo para retomar a agenda política.

Aliados do senador, por outro lado, tentam construir uma saída negociada. Uma das alternativas discutidas prevê que Wagner permaneça no cargo até a visita de Lula à Bahia, marcada para 2 de julho. Nesse cenário, o afastamento seria apresentado como uma decisão voltada à dedicação do parlamentar às articulações políticas no estado.

Desgaste

A avaliação sobre uma eventual substituição de Wagner não surgiu apenas após a operação da PF. Parte do governo já demonstrava insatisfação com a condução da articulação política no Senado.

Entre os episódios citados nos bastidores está a derrota da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), além do desgaste na relação entre Wagner e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Apesar disso, Lula mantém uma relação histórica e de confiança com o senador baiano. Segundo relatos de aliados, o presidente procura evitar qualquer movimento que possa ser interpretado como demonstração de desconfiança em relação ao parlamentar.

Entrevista

Integrantes do governo afirmam que Lula ficou contrariado após Wagner citar o presidente em entrevistas concedidas na semana passada. A avaliação de auxiliares é que as declarações acabaram levando a discussão para dentro do Palácio do Planalto.

O senador sustenta que sua fragilização política pode afetar o desempenho eleitoral de Lula na Bahia, estado considerado fundamental para a vitória presidencial de 2022. Interlocutores do presidente, entretanto, entendem que a manutenção do caso no debate nacional pode ampliar os desgastes para o governo.

Dentro do grupo político de Wagner cresce o apoio à possibilidade de um afastamento temporário, desde que a medida seja construída de forma a preservar sua imagem e seu capital político.

Ligações

Após a deflagração da operação da Polícia Federal na Bahia, Lula telefonou duas vezes para Jaques Wagner na quinta-feira (18). De acordo com aliados do presidente, as conversas ocorreram em um momento delicado para o senador e não trataram da sucessão na liderança do governo.

Ministros relatam que os telefonemas representaram um gesto de solidariedade pessoal, mas não devem ser interpretados como garantia de permanência no cargo.

A estratégia defendida por integrantes do Planalto é que uma eventual saída seja apresentada como iniciativa do próprio senador, sob o argumento de que ele precisa concentrar esforços em sua defesa.

Em entrevista à BandNews TV, na semana passada, Wagner destacou o apoio recebido do presidente. “Ele fez questão de me ligar, de se solidarizar comigo”, afirmou. O senador também demonstrou confiança na manutenção de sua posição.

“A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”, declarou. (Com informações do portal Brasil 247)

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