Quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de agosto de 2026
O número de candidaturas registradas para as eleições de 2026 caiu pela primeira vez em duas décadas. Segundo levantamento divulgado pelo UOL com base nos dados da Justiça Eleitoral, foram registradas 20.501 candidaturas neste ano, contra 29.262 nas eleições gerais de 2022.
A diferença representa uma redução de 8.761 candidaturas, ou cerca de 30% em relação ao último pleito geral. A queda ocorre depois de uma sequência de eleições em que o número de nomes colocados à disposição dos eleitores vinha crescendo.
Entre os principais fatores apontados para a redução estão mudanças na legislação eleitoral implementadas nos últimos anos. Uma delas é a cláusula de desempenho, que passou a exigir que os partidos alcancem determinado resultado eleitoral para ter acesso a recursos e funcionamento parlamentar.
Nas eleições de 2026, a regra considera, entre outros critérios, a eleição de pelo menos 13 deputados federais ou a obtenção de 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos um terço dos Estados. O mecanismo aumenta a pressão sobre as legendas menores e contribui para a reorganização do sistema partidário.
Outro fator é a formação das federações partidárias. Diferentemente das antigas coligações proporcionais, as federações obrigam os partidos integrantes a permanecerem unidos por um período de quatro anos. Com isso, as siglas que participam de uma federação passam a atuar conjuntamente nas eleições proporcionais, reduzindo a necessidade de apresentar chapas independentes.
Também houve alteração no limite de candidatos que cada partido ou federação pode registrar para as eleições proporcionais. A legislação reduziu a quantidade máxima de nomes que podem ser lançados para disputar vagas de deputado federal, deputado estadual e distrital.
Nas eleições anteriores, os partidos tinham maior margem para registrar candidatos em relação ao número de cadeiras disponíveis. A regra atual estabelece um limite equivalente ao dobro das vagas em disputa, acrescido de um candidato. A mudança diminuiu diretamente o número de nomes que podem aparecer nas urnas.
A redução das candidaturas ocorre paralelamente a uma concentração maior do sistema partidário. Siglas que não atingem o desempenho mínimo estabelecido pela cláusula de desempenho enfrentam restrições no acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda.
As alterações começaram a produzir efeitos mais claros depois das eleições de 2022. Naquele ano, o país ainda tinha um número elevado de partidos competindo separadamente, além de uma quantidade maior de candidaturas proporcionais.
A Justiça Eleitoral passou a registrar também os efeitos das federações, que alteraram a forma como as legendas organizam suas chapas. Partidos que antes apresentavam listas próprias passaram a dividir a estrutura eleitoral dentro de uma mesma federação.
A queda no número total de candidatos, portanto, não significa necessariamente uma redução proporcional na quantidade de partidos ou de disputas. Ela está relacionada principalmente às regras que limitam o número de candidaturas e às mudanças na organização das legendas.
O resultado de 2026 interrompe uma tendência registrada nas últimas eleições gerais e marca a primeira redução do número de candidaturas em 20 anos.