Domingo, 17 de maio de 2026

Latam demite pilotos de avião que bateu a cauda em Milão; investigação aponta que incidente ocorreu por dados errados inseridos no computador de bordo

A Latam demitiu os três pilotos que estavam na cabine de comando do 777-300 que bateu a cauda ao decolar do aeroporto de Milão, em julho deste ano, em um voo com destino a Guarulhos. Uma investigação da autoridade de aviação italiana aponta que o incidente ocorreu porque dados errados foram inseridos no computador de bordo.

Após decolar do aeroporto de Malpensa, na Itália, a aeronave ficou voando em círculos para despejar combustível e pousou novamente no mesmo local, cerca de uma hora e meia depois de levantar voo. Nenhum dos 398 ocupantes se feriu. Os 383 passageiros foram realocados em outros voos.

Procurada, a Latam disse que não iria comentar o tema.

O incidente, chamado de “tail strike”, pode oferecer risco estrutural à aeronave. O evento pode causar danos estruturais à aeronave e, a depender da gravidade, levar à perda do controle, mas com baixo risco de fatalidades.

Em nota, na época, a Latam lamentou o episódio. Ninguém ficou ferido no acidente.

Dados incorretos

O relatório preliminar do incidente divulgado na semana passada pela agência de segurança de voo italiana, a ANSV, aponta que dados incorretos foram inseridos no sistema de gerenciamento de voo do computador de bordo do avião. O texto não aponta quem fez. Essa tarefa cabe aos pilotos.

Segundo o documento, os dados inseridos para ângulo de empuxo, velocidade mínima de decolagem e velocidade de rotação da aeronave, entre outros, eram diferentes dos calculados posteriormente pela própria operadora do voo, dadas as condições do avião e da pista do aeroporto naquele momento.

Três comandantes estavam na cabine: um instrutor, que estava comandando a aeronave no momento, um comandante em treinamento e um de apoio, que assumiria a aeronave enquanto um dos outros dois estivesse em horário de descanso.

A empresa considerou o incidente grave, levando em consideração que poderia ter sido evitado por meio da checagem cruzada (“cross-check”, no jargão da aviação). Os custos para consertar o avião, na casa dos milhões de dólares, também influenciaram na decisão, tomada por um conselho.

O documento afirma, também, que a aeronave teve danos em alguns componentes como resultado do “tail strike”.

A pista do aeroporto de Milão-Malpensa ficou com uma marca de 723 metros de comprimento em sua extensão, com até 6 cm de profundidade.

O tail strike ocorre em decolagens, pousos ou arremetidas. quando há contato da aeronave com a pista. No caso do avião da Latam, o incidente ocorreu na decolagem.

De acordo com um banco de dados de prevenção e monitoramento de tendências da Iata, 9% dos acidentes entre 2013 e 2022 estiveram relacionados ao tail strike. E 2022, houve 24 ocorrências desse tipo, das quais 6 foram classificadas como acidentes. Entre janeiro e outubro de 2023, houve 43 ocorrências.

Segundo os dados da Iata, 79% dos acidentes envolvendo tail strike se deram durante o pouso ou durante arremetidas. No caso do avião da Latam, o episódio ocorreu na decolagem.

Segundo a Iata, entre os motivos mais comuns a provocar um tail strike na decolagem, estão:

  • A tripulação ter decidido tirar o avião depois do momento ideal, ou alguma falha na técnica de pilotagem;
  • Ventos, tesoura de vento ou turbulência durante a decolagem;
  • Aeronave fora do centro de gravidade ideal, devido a falha no cálculo de peso e balanceamento, o que a pode deixar mais pesada no fundo, por exemplo;
  • Inserção de dados incorretos no computador de bordo que calcula a performance da decolagem;
  • Aeronave configurada incorretamente para a decolagem.

Se o tail strike for causado por algo na pista, como um objeto, o avião seguinte pode sofrer o mesmo problema
A Iata orienta as companhias aéreas a monitorar todos os eventos de forma a identificar os fatores mais comuns e, assim, evitar que novos incidentes/acidentes aconteçam. O documento “Tail Strikes no pouso e na decolagem – Avaliação de Risco de Segurança” também lista a necessidade de treinamentos específicos de tripulação, como com simuladores, que devem ser feitos. As informações são do G1.

 

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