Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de junho de 2026
Muitas vezes vi ou ouvi e até participei, desde muito jovem, de conversas sobre tesouros enterrados. Esse tipo de assunto sempre instigou o homem. Veja a história do “Conde de Monte Cristo” da “Lenda do Tesouro Perdido”, a história das “Minas do Rei Salomão”, a caça desarvorada atrás dos túmulos dos Faraós e do incalculável tesouro dos Templários. Um dia lá por volta de 1963, em conversa, em baixo das laranjeiras do pátio da casa do meu cunhado Milton, o ‘seu’ Fredolino Kusler, pai do Milton, mais conhecido como “Opa”, (avô em alemão) nos conta de um tesouro da época dos jesuítas, que fora ‘enterrado’ dentro de uma lagoa natural, exatamente no centro, e que tal lagoa ele sabia onde era, e sabia também de uma indicação (marcação) geográfica de como era, de fato, uma história com fundamento.
Mais tarde no mesmo dia, chamei o ‘Opa’ de lado e quis saber mais, e ele me contou. Diz ele: “que no campo, lá para as bandas de São Luiz Gonzaga, fora da estrada geral, numa determinada altura de uma estradinha de carroça, ao longo de um mato, atravessado por um arroio, mais usada a cavalo ou a pé, tinha uma coxilha em especial, um pouco alta, em cujo topo tinha um círculo de pedras arredondadas com mais ou menos uns 15 metros de diâmetro e que, exatamente, no centro desse círculo havia outra pedra semelhante só que meio quadrada, visivelmente talhada por alguém, e que esse era a indicação (e o mapa) do tesouro e que no sopé da coxilha no lado oeste, cercada de denso mato, tinha a tal lagoa que deveria ter um diâmetro de uns 100 metros e que o círculo de pedras representava a lagoa e a pedra central, o tesouro. Que fazia já uns 25 anos que ele passara por lá e que, embora não tenha ido conferir as indicações, ele sabia exatamente onde era”.
Perguntei: Mas e como é que o Sr. sabe dessa história?… e se achava que ainda poderia estar lá, já que deveria ser conhecida dos moradores da região e alguém já poderia ter “achado”. Respondeu que isso poderia ter acontecido mas que ele duvidava pois que também contavam que “almas penadas” cuidavam do tesouro e pegariam quem fosse lá mexer. O ‘tesouro’ era protegido por espíritos sofridos…
Isso só fez aumentar a curiosidade e a adrenalina. Conversa-vai-conversa-vem, não demorou que o instinto de aventura e a sempre vontade de aceitar desafios e desvendar mistérios, como um andaço, tomasse conta da cabeça de todos. E marcamos um fim-de-semana e lá fomos nós numa camionete Ford F-100 e numa Kombi. Na F-100 foi meu pai, eu e o “Opa” e na carroceria, pelo menos 4 pás, 2 enxadas, duas picaretas, cordas e uma bem equipada caixa de ferramentas, remédios e soro antiofídico, duas caixas de cerveja, whiski, carne de gado, meia ovelha, sal, açúcar, carvão e outros mantimentos. Na Kombi foi o Milton, o Carlinhos, o “kuslinha” irmão mais novo do Milton, o ‘seu’ Wagner, mais os acessórios de acampar, além (sempre) de um arsenal de armas, facões e facas. Levamos junto, também, uma rede de pesca de malha não muito fina, pois que o ‘Opa’ dissera que pertinho no outro lado da estradinha, tinha um lajeado (pequeno rio) onde se poderia “dar umas linhadas”.
Ao cair da tarde de uma sexta-feira de fim de verão início de outono, com tempo ainda quente, chegamos no local indicado pelo ‘Opa’. Nos situamos e montamos o acampamento num gramado na beirada do mato e estendemos a rede de pesca em toda largura do lajeado. Como a rede era de malha larga, não nos preocupamos com o trânsito de peixes pequenos indo ou vindo. Juntamos lenha, gravetos e começamos a pensar na carne para jantar… (segue semana que vem a Parte 2/3)
* Luiz Carlos Sanfelice – lcsanfelice@gmail.com