Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de junho de 2026
Acendemos o fogo, montamos um chimarrão, fizemos uns aperitivos, assamos um belo churrasco, tomamos algumas cervejas e conversávamos sobre o que cada um faria “com aquela imensidão” de ouro que “desafogaríamos” no dia seguinte do fundo daquela lagoa, que ainda não tínhamos visto nem localizado, só sabíamos o rumo e que estávamos próximos.
No dia seguinte, sábado, eu me “vesti pra guerra” e o Opa e eu iniciamos a exploração e reconhecimento do terreno. Eu pus uma camisa de Jersey fina, cor da pele, um chapéu branco tipo ‘pescador de beira mar’, um shorts branco, curto, com cinta (eu jogava tênis), um cinturão de couro tendo ao lado direito o coldre com um .38 e no outro um belo punhal de escoteiro e nos pés um par de botas de PVC até meio-canela (cobras). Onde acampamos foi na borda de um mato meio ralo cheio de ‘unhas de gato’ com árvores de porte médio (8 a 12 metros de altura) que circundava parte da base da dita coxilha. Meio sinistro.
Não foi muito fácil, mas atravessamos o mato numa direção sudeste e saímos no campo com vegetação rasteira e tosseiras esparsas e iniciamos a subida da coxilha que não era de muito aclive, nem tampouco muito alta. E meu rapaz… para minha surpresa e expectativa, lá estava o círculo de pedras arredondadas como ele descrevera, só um pouco maiores do que minha imaginação tinha ‘criado’ e no centro a tal pedra talhada, visivelmente trabalho de mãos humanas. Nossa Senhora… meu coração saltou como um louco e vibrei com a emoção… mas imediatamente também, tratei de olhar para os lados e ficar atento se “algum guarda” do tesouro não iria “defender” e cumprir sua missão. Fama de ser mal-assombrado o local tinha e como dizem por aí: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”…
Visto e olhado aquilo, ambos meio incrédulos, descemos a coxilha e novamente nos embrenhamos naquele mato tomando então a direção sul. Mas mato é mato e fomos indo ‘meio ligeirito’ e o Opa, cancheiro velho andava bem mais rápido que eu. Logo topamos com um valo fundo onde corria um pequeno regato com não mais que 1 metro de largo, mas impressionante era que praticamente todas as árvores que margeavam esse valo tinham imensas teias de aranha com um tipo estranho (depois eu soube) de aranha, azuis ou verdes, com um corpo parecido com essas balas de chupar meio retangulares e por diversas vezes tive que ‘frear’ bruscamente com uma destas aranhas a uns 10 cm da minha cara. E o Opa se adiantando. Vi que lá adiante ele saltou o valo e seguiu e sumiu. Ah não!… não vou ficar sozinho no meio desse mato cheio de aranhas e com ‘possíveis’ almas de outro mundo por aí…
Meu rapaz… baixei a cabeça e tratei de correr. Saltei o valo acho que derrubando uma meia-dúzia de aranhas que não sei que fim deram e me enroscando em galhos e unhas de gato e alcancei o Opa. Nesse instante ferroadas nas minhas costas me fizeram gritar de dor… me retorci gritando… joguei os ombros pra trás… e caí. O-que-foi-o-que-não-foi… na correria eu derrubei uma caseira de marimbondos vermelhos, de um galho baixo dessa vegetação e eles voando se grudaram nas minhas costas, sobre a camisa de Jersey, e se serviram… (marimbondos do mato, enormes, doeu pra caramba). O Opa tirou o chapéu e bateu nas minhas costas para tirá-los dali e gritou – “Tira a camisa e fica abaixado”. “Morrendo” de dor eu fiz rapidamente e fiquei quieto… então… aconteceu…
…uma “água quente” num jato forte inundou minhas costas. Levei, literalmente a maior mijada de minha vida.
Não foram muitos ferrões… deve ter sido uns 5 ou 6 que cravaram na pele, mas imediatamente doeu… e doeu forte. Aí então quieto, imóvel e “aceitando aquela confortável água quente”, identifiquei sua origem… e entre alívio e risos ‘aceitei’ a mijada…
…(segue a 3ª e última parte, na semana que vem)
* Luiz Carlos Sanfelice – lcsanfelice@gmail.com