Domingo, 10 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de maio de 2026
Em reunião na Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, para visitar o Brasil, de acordo com pessoas presentes. Os dois chefes de Estado se reuniram na quinta-feira (7), em Washington, em um encontro aguardado há meses pelo Palácio do Planalto.
Segundo relatos, o convite foi feito em um dos diversos momentos de descontração da conversa. Lula já havia chamado Trump a estar no Brasil em ligações telefônicas entre ambos.
Auxiliares de Lula afirmam que o líder americano agradeceu o convite, mas não respondeu concretamente se aceitava e se viria ao Brasil em algum momento.
De acordo com ministros que acompanharam o encontro de Lula e Trump na Casa Branca na quinta-feira, e em outubro, na Malásia, relatam que dessa vez a interação pessoal entre os dois líderes foi mais próxima e descontraída, até pelo tempo, em pouco mais de três horas de reunião.
Em outubro do ano passado, a pedido do governo do Brasil, Trump encontrou com Lula, na 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco que reúne economias do Sudeste Asiático, na Malásia.
Além dos dois líderes, participaram da reunião os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Lima e Silva (Justiça e Segurança), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).
Do lado americano, estiveram presentes o vice-presidente JD Vance, além de Susie Wiles, chefe de Gabinete, Scott Bessent, secretário do Tesouro, Jamieson Greer, representante do Comércio e Howard Lutnick, secretário do Comércio.
Tarifas, Pix e comércio
Entre os principais temas discutidos estiveram as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e a investigação aberta pelos americanos sobre o Pix, no âmbito da chamada Seção 301.
Após o encontro, Lula afirmou que propôs a Trump a criação de um grupo de trabalho para que representantes dos dois países debatam as divergências comerciais nos próximos 30 dias.
Segundo o presidente brasileiro, ele explicou ao republicano que os Estados Unidos acumulam superávit comercial com o Brasil há anos e que a tarifa média brasileira sobre produtos americanos é de cerca de 2,7%.
“Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, afirmou Lula.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que novas reuniões entre os dois governos devem ocorrer nas próximas semanas para discutir tanto as tarifas quanto a investigação sobre o Pix.
Lula também pediu diretamente a Trump que o processo da Seção 301 seja encerrado “o quanto antes”. Trump, por sua vez, afirmou nas redes sociais que os dois discutiram “comércio e, especificamente, tarifas”.
Conselho da ONU
Outro ponto central da reunião foi a discussão sobre a reforma da Organização das Nações Unidas e do Conselho de Segurança.
Lula afirmou que pressionou Trump para que os membros permanentes do Conselho liderem uma reformulação do órgão.
“É preciso reformar a ONU”, disse o presidente brasileiro, acrescentando que Trump, Xi Jinping, Vladimir Putin, Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, têm responsabilidade sobre o tema.
O petista voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança e reiterou o interesse histórico do Brasil em ocupar um assento permanente no colegiado. “A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945”, afirmou.
Relação positiva
Apesar das diferenças ideológicas, Lula descreveu a relação com Trump como positiva e disse que houve uma “química” entre os dois.
“Sabe aquela história de amor à primeira vista? É isso que aconteceu”, afirmou o presidente brasileiro durante coletiva de imprensa.
Lula também disse acreditar que Trump “gosta do Brasil” e afirmou que os brasileiros têm interesse em construir “os melhores acordos” com os Estados Unidos.
O petista lembrou que os dois se encontraram pela primeira vez durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro de 2025, e voltaram a conversar em uma reunião na Malásia, em outubro.
Durante a coletiva, Lula contou ainda que pediu para Trump sorrir durante o encontro. “Trump rindo é melhor que de cara feia”, brincou.
“Cara inteligente”
Horas após o encontro, na noite dessa quinta-feira (7), Trump voltou a comentar a reunião durante uma visita ao Lincoln Memorial, em Washington.
Questionado por repórteres, o republicano afirmou ter tido uma “ótima reunião” com Lula e chamou o presidente brasileiro de “cara inteligente”. (Com informações de O Globo)