Segunda-feira, 25 de maio de 2026

Lula defende negociação com os EUA e diz ter “limite de briga com o governo americano”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar, na manhã desse domingo (3), o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importação de produtos brasileiros. Lula afirmou que tem “um limite de briga com o governo americano”, mas ressaltou que Brasil tem tamanho e interesses econômicos e políticos para negociar.

“Eles têm que saber que nós temos o que negociar. (…) Nós queremos negociar igualdade de condições. Estados Unidos é muito grande, é o país mais bélico do mundo, mais tecnológico do mundo. Mas nós queremos ser respeitados pelo nosso tamanho. Temos interesses econômicos, estratégicos, queremos crescer e não somos uma republiqueta. Querer colocar um assunto político para nos taxar economicamente é inaceitável”, disse.

A declaração ocorreu durante a cerimônia de encerramento do 17º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado em Brasília. O evento marca a posse do ex-prefeito de Araraquara (SP) Edinho Silva como novo presidente nacional do partido.

Lula pontuou que o diálogo com os Estados Unidos deve ser feito com cautela. O governo brasileiro tem tentado um espaço para o diálogo entre os dois presidentes desde o anúncio de Trump de imposição de uma taxa de 50% sobre as importações brasileiras. Na semana passada, o chanceler Mauro Vieira se encontrou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em uma primeira reunião entre os chefes da diplomacia dos dois países desde a posse de Trump, em janeiro deste ano.

“Eu tenho um limite de briga com o governo americano. Eu não posso falar tudo que eu acho que tenho que falar. Nós temos que falar apenas aquilo que é necessário”, afirmou Lula.

O presidente também voltou a falar sobre uma moeda alternativa ao dólar para negociar com outros países, proposta que gera insatisfação de Trump.

“Eu não vou abrir mão de achar que a gente precisa procurar construir uma moeda alternativa para que a gente possa negociar com os outros países. Eu não preciso ficar subordinado ao dólar”, disse.

Desde que Trump anunciou o tarifaço, Lula tem defendido a união pela soberania nacional. Uma campanha do governo chegou a ser montada com os dizeres “Brasil com S de Soberania”.

Na última sexta-feira (1º), Trump deu um sinal de abertura a diálogo e afirmou que está à disposição para conversar com Lula. Integrantes do governo, contudo, tem relatado dificuldade.

Com o slogan “Brasil justo e próspero”, o evento do PT evocou as cores da bandeira nacional e foi marcado por discursos em prol da soberania desde seu início, na última sexta-feira.

O encontro também trouxe músicas sobre o tarifaço, como um funk remixado do discurso em que Lula ironizou a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. “Trump, libera meu pai”.

O representante comercial dos Estados Unidos Jamieson Greer, por sua vez, indicou que dificilmente haverá abertura para negociação. Ele afirmou que as tarifas impostas são “praticamente definitivas” e que é improvável que ocorram negociações “nos próximos dias”. (Com informações do jornal O Globo)

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